Segundo o guia do consumidor dessa semana, o litro de leite longa vida está custando entre R$ 1,15 e R$ 1,86. A variação de preços nos supermercados é de mais de 60%. Pesquisas apontam que os valores praticados em 2008 decresceram em relação a 2007, quando o aumento foi significativo, afetando o bolso dos juizforanos.
Entretanto, o novo chefe geral da Embrapa Gado de Leite, Duarte Vilela, afirma que a situação de estabilidade ainda não deixa o produtor numa situação confortável. Ele explica que o crescimento do preço do leite acontece porque a produção de leite não está acompanhando a demanda.
"O mundo está crescendo, as pessoas estão consumindo mais. Paralelamente, houve
também uma mudança nos hábitos alimentares, podemos dizer que aconteceu uma ocidentalização,
pois países asiáticos também começaram a consumir"
. Antes havia mais oferta do que
demanda. Duarte afirma que a inversão ocorreu há quatro anos, quando os estoques mundiais
de alimentos se reduziram.
Além do aumento da procura, a oferta também está sob pressão. As mudanças climáticas prejudicam a produção. Ano passado, os dois maiores exportadores de leite - a Austrália e a Nova Zelândia - sofreram uma grande seca, o que prejudicou a produção.
A perspectiva de Duarte é de que o setor leiteiro possa crescer nas taxas entre 4% a 5% ao ano.
"O mundo continuará crescendo, principalmente os países asiáticos, e vai continuar
consumindo muito leite"
, justifica.
No Brasil, os preços respondem ao cenário internacional. Para ele, o preço do leite
é um mal da conjuntura. "A pecuária começou a se organizar a pouco tempo,
a partir da década de 90. É preciso formatar idéias estruturantes para o setor"
.
Vilela aposta que a produção brasileira de leite em 2008 deve ficar em torno de 27 bilhões de litros. No ano passado, o Brasil exportou 2,3% da sua produção, cerca de 600 milhões de litros. Esse ano, as exportações podem chegar a um bilhão de litros.
O pesquisador afirma que o grande escoamento da produção nacional ainda é para consumo
interno. "Apertou o bolso, os brasileiros param de consumir produtos lácteos.
Isso compromete o trabalho desenvolvido nos últimos anos no sentido de estimular
e aumentar a produção"
.
Ele acredita que, para garantir estabilidade no setor, é preciso um trabalho de marketing que incentive o consumo interno de lácteos, além de ampliar os programas sociais, como acontece em outros países.
Além do clima e do aumento da demanda, outros fatores, principalmente os relacionados
ao custo de produção, podem comprometer a estabilidade. Influenciado principalmente
pelo preço do petróleo, os custos de produção estão ascendentes.
À frente da Embrapa Gado de Leite, Vilela planeja reduzir a dependência de insumos importados e criar alternativas de alimentação para o bovino e viabilizar a construção de uma pecuária efetivamente sustentável, priorizando projetos que avaliem os impactos da atividade leiteira no meio ambiente e minimize tais impactos, dentre outras metas.
Com relação aos fertilizantes, o Brasil é extremamente dependente do mercado internacional,
comprando de fora algo em torno de 60% do que necessita, principalmente potássio.
"Temos que pesquisar novas rochas para substituir os fertilizantes importados.
Podemos ainda pesquisar substratos que, incorporados aos fertilizantes, torne-os mais
eficazes na liberação de nutrientes para o solo. Esta é uma prática ecológica já que
se melhora a ação dos nutrientes do solo, contaminando menos o meio ambiente. Alguns
países como a Nova Zelândia e a Austrália estão à frente do Brasil nestes estudos"
.