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    Empresas lucram com resíduos recicláveis em Juiz de Fora

    Por ano, a indústria nacional movimenta mais de R$ 10 bilhões, segundo o Compromisso Empresarial para a Reciclagem (Cempre)

    Angeliza Lopes
    Repórter
    21/05/2016
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    “O futuro do mundo é a reciclagem. Os recursos naturais estão cada vez mais escassos, por isso tudo será reciclável”, afirma o comprador de recicláveis, Humberto Cedrola, da Recicláveis Floriano Peixoto (RFP), localizada na região central de Juiz de Fora. Talvez há 47 anos, quando a empresa foi criada, esta realidade fosse vista como algo utópico, mas nos dias atuais a preocupação com a sustentabilidade tem se tornado real e um negócio rentável. Depois de usado, o óleo de cozinha vira produto de limpeza e biodisel; o pneu é transformado em asfalto; e o papel em material de construção ou embalagens recicladas.

    Por ano, a indústria nacional que lucra com o que você joga fora, movimenta mais de R$ 10 bilhões, segundo o Compromisso Empresarial para a Reciclagem (Cempre). Mas outros R$ 8 bilhões poderiam ser gerados caso todo o lixo do país fosse reciclado. Esta realidade também é comum no município, visto que apenas 2% dos resíduos recicláveis de Juiz de Fora são reutilizados, conforme afirmou o especialista em gestão do lixo da Biokratos em entrevista cedida à ACESSA.com.

    O gerente da RFP, Vitor Manoel Cardoso, que também possui outros dois centros de triagem a atacado no bairro Retiro, chamado Depósitos Beira Alta, lembra que quando começou com o negócio de triagem de papel/papelão, sucatas de ferro e não ferrosas, plásticos e alumínio, conseguiu recolher cerca de 4 mil toneladas de papel por mês, e, atualmente, chega a 400 mil toneladas mensais. “As pessoas estão ficando mais conscientes. Há seis anos a produção dos resíduos cresceu exponencialmente. Antigamente, a marca de biscoitos Piraquê distribuía seus produtos em caixas de ferro e não papelão, como é hoje. Este é só um exemplo da nossa realidade”, conta Cardoso. Ele complementa que o problema do mercado são os custos não acompanhar o lucro gerado, que está estagnado. Seus gastos eram de R$ 4 mil semanais, já 10 anos depois, chega a R$ 12 mil.

    O preço atual repassado pelo quilo do papelão é de R$ 0,50, as latinhas de alumínio R$ 2,70, enquanto o plástico tem um rendimento menor e variação grande dos tipos. “Tudo que é recolhido é enviado para a indústria transformadora. Acho que o governo deveria nos ajudar com mais incentivos fiscais. Hoje contamos apenas com a redução de impostos do Simples Nacional, que é comum a tantas outras empresas com rendimento dentro da faixa. Temos isenção do ICMS apenas dentro do estado”.

    Conscientização social e ecológica

    O comprador de recicláveis complementa que existem muitas questões que devem ser discutidas, como o falso reflorestamento. “Temos no país áreas ditas de reflorestamento, mas são com mudas de eucalipto e pinos, que não são vegetação nativa e consomem muita água, deixando o solo improdutivo. Esta celulose não pode ser vista com bons olhos. O importante é reutilizar o papel produzido, que tem como retornar até oito vezes sem perder a fibra”, destaca.

    Outra empresa criada recentemente no município, abarca o mercado de coleta de óleo de cozinha usado. Há um ano e meio os sócios Wallace Amaral Rodrigues e Bruno José da Silva criaram a Reciclaminas, que teve uma mudança em seu modelo de negócios logo no início do empreendimento. “Vimos que já existia uma empresa que dominava o mercado de coleta em estabelecimentos comerciais, por isso nos voltamos para residências. No entanto, era preciso organizar a logística para que fosse rentável, sendo criado pontos de recolhimento. Por optarmos por este modelo vimos a importância de ações de conscientização do descarte correto”, explica Rodrigues.

    FotoWallace conta que a empresa acabou tomando outro rumo e passou a realizar trabalhos de conscientização ambiental, com parcerias em escolas, supermercados e igrejas. “Nas escolas e igrejas sempre trocamos o óleo por materiais de limpeza. Na parceria com o Bretas, em troca do espaço para os pontos de coleta, repassamos percentual do lucro para a Ascomcer, que já era uma instituição parceria do supermercado. Temos também parceria com um projeto no bairro Amazônia, que cuida de 55 crianças, onde levamos palestras educativas e de conscientização, Já na Primeira Igreja Batista, que possui um centro de recuperação para pessoas viciadas em drogas, todo o óleo é convertido em alimentos para a instituição”.

    Por mês, o empreendimento consegue coletar de seis a sete mil litros de óleo, que passa por processo de limpeza e é vendido por R$ 0,70 a R$ 0,75 o litro para outra empresa que também coleta na cidade e faz o processo de beneficiamento do produto. “Eles revendem para a indústria no Rio de Janeiro que utiliza o óleo para produção de biodisel. No país cerca de 90% do óleo usado se transforma em combustível, mas para que seja possível o reaproveitamento, é necessário um certo grau de pureza, sem mistura de água e gordura”, diz o sócio.

    O empreendedor lembra que estas pequenas atitudes podem evitar danos muito maiores, quando o descarte é feito de forma correta, e não na pia, vaso sanitário ou direto ao solo. Um litro de óleo pode contaminar um milhão de litros de água potável e causar a hipermeabilidade do solo. “As pessoas estão cientes, mas não são conscientes das consequências de seus atos. Com o tempo, o óleo jogado na pia pode causar entupimento e nesta gordura ficam agarrados restos de comida e cabelo que atraem baratas e ratos. Além disso, a hipermeabilização do solo, em grandes proporções pode causa enchentes, pois a terra não consegue filtrar a água da chuva”, destaca,

    O próximo campo de atuação da Reciclaminas serão os condomínios da cidade. Wallace conta que caso o agrupamento residencial tenha interesse, a empresa cede o galão de coleta e pretende fazer as trocas também por produtos recicláveis.

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