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    Teatro de Quintal
    Interação e criatividade com recheio de bom humor

    Flávia Machado
    18/01/02

    Marcos Magal e Gueminho em: Mineiros on the Beach. Irreverência e descontração são marcas registradas desse grupo. Há mais de 20 anos na estrada, o Teatro de Quintal, mais conhecido como Tq, mostra bom humor, crônica, interatividade e muito fôlego. Na bagagem, o teatro de rua, produzido no começo da carreira, e uma idéia na cabeça: atuar direto com o público, sem a interferência de um palco. De lá para cá, muita coisa mudou e pouco está diferente. As caras são novas, mas o conceito de teatro ainda é o mesmo.

    Uma foto rara da primeira formação do grupo, em 79: de cima pra baixo, da esquerda pra direita: China, Gueminho, Maurício, Biel, Cerezo e Xanxão; Ana, Eriane, Dri e Hugo; Zé Guilherme, Miriam, Cacá, Julinho e Tadeu. A primeira formação é de 1979, com cerca de 15 integrantes (foto ao lado). Na época, havia um grupo que fazia teatro no Colégio Academia, que queria viajar com as peças, o que o Colégio não permitia, conta Gueminho Bernardes, produtor, ator, escritor e único integrante que acompanha o grupo desde o início. Foi quando eles resolveram montar o Teatro de Quintal, que percorria os bairros da cidade e tinha a proposta de fazer um teatro popular, que interagisse com o público e levantasse questões políticas e atuais nas comunidades. “A idéia era mais ou menos esta, mas nós não sabíamos direito para onde ir. Foi quando conhecemos o Amir Haddad.”

    Amir Haddad fazia parte do grupo carioca Tá na Rua, muito famoso na década de 80. “Foi a partir deste grupo teatral que veio a consciência da linguagem que o Tq buscava na sua essência”, esclarece Gueminho. A essência, no caso, diz respeito à maneira de entender e fazer teatro, passado de uma forma muita descontraída, num contato direto com o público, cara a cara com as pessoas.

    As 1001 Noites do Tq, no Berttu's. Em 83, muda o local, mas não o formato e tampouco a essência. O Tq começa a se apresentar em bares e não mais nas ruas. O primeiro foi o Berttu’s, que na época funcionava como bar à noite e restaurante de dia. “A casa vivia cheia”, conta Gueminho. Nesse período, o Tq virou moda e surgiram mais uns quatro grupos de teatro com o mesmo formato na cidade.

    Outro momento que marcou a trajetória do Tq foi em 88, quando o músico Paulo Beto passou a integrar o elenco. O espetáculo em cartaz era o “Volúpia”, com direção de Amir Haddad, onde Paulo Beto tocava com uma banda ao vivo. Daí surgiu a identidade ‘rádio-teatro’ que acompanha o grupo até hoje. "O Paulo é uma das pessoas mais criativas desta cidade", elogia Gueminho.

    O Tq hoje

    Foto de uma cena de Relação Sexual. Atualmente, com 22 anos de história, O Tq continua interativo, irreverente e criativo. Com novos planos e projetos. E como brinca Gueminho, “o projeto agora é menos felicidade e mais dinheiro.” O que ele quer dizer é que o Tq pretende levar suas peças para espaços teatrais, nem que para isso precise abrir mão de tanta felicidade conquistada com o ‘teatro-de-bar’. Os planos também incluem o Rio de Janeiro, onde a trupe já começou a atuar desde o ano passado, com o espetáculo “Mineiros on the Beach”, apresentado na Bunker 94.

    Na formação recente estão Gueminho Bernardes, Rafael Tristão, Roberta Abramo, Marcos Magal, Michele e Igor Dragon Ball. O grupo também atua com um elenco variado, pois tem se apresentado paralelamente no Rio e em JF. No elenco carioca estão Kadu e Mariana Hein.

    O auge e a decadência, sempre com bom humor

    Com esse tempo todo de estrada, altos e baixos acompanharam o grupo e muita história boa ainda fica por contar. Muita gente fez parte deste ‘time’ em inúmeras formações ao longo de 22 anos. Para Gueminho, além dos altos e baixos corriqueiros de um grupo teatral, alguns são inesquecíveis e valem ser lembrados. Em 84, numa temporada em Belo Horizonte (MG), o Tq foi considerado o melhor espetáculo do ano, pelo jornal “Estado de Minas.” Em outro momento mais recente, em 2001, o espetáculo “Tq TV” foi o responsável por uma das temporadas da maior sucesso de público do grupo, lotando o mesmo bar, com o mesmo repertório, durante seis meses.

    Um momento decadente, mas não menos cômico que as esquetes do grupo, aconteceu quando eles se apresentaram para uma platéia de apenas duas pessoas. “Mas elas morreram de rir e eu me lembro até hoje da cara destas pessoas”, lembra Gueminho - e acrescenta: “Fazer 500 pessoas rir é fácil, mas não duas. O riso é contagiante.”

    Em cartaz agora

    Em cartaz em Juiz de Fora, o espetáculo "Mais Melhor de Bão", às sextas e aos sábados, a partir das 23h, no Corazón.
    O grupo também se apresenta na cidade durante a Campanha de Popularização do Teatro e da Dança.
    No Rio, dias 20 e 27 de janeiro, o Tq vai se apresentar no Bastidores, na Barra da Tijuca.

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