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    Armando Fernandes Aguiar, o Mamão
    Em Juiz de Fora, mamão é sinônimo de samba

    Fernanda Monteiro
    20/02/04

    Nosso Mamão brotou em Juiz de Fora, no dia 24 de agosto de 1938, com o nome de Armando Fernandes Aguiar. "Não saio daqui nem depois de morto", declara. Com três filhos: Lígia, Egberto e Francisco Caetano (o nome é uma homenagem ao primeiro show que reuniu Chico Buarque e Caetano na Bahia, no dia do nascimento de Francisco) e depois de ter trabalhado como torneiro mecânico, mecânico de máquinas e na Funalfa, Mamão está oficialmente aposentado. Hoje, porém, está à frente do bar Bloco do Beco, Mamão e Cia.

    Paixão pelo samba
    A paixão pelo samba começou com um desfile, aos 11 anos, na Feliz Lembrança, escola na qual o pai era diretor. "Daí em diante, virou cachaça", conta fazendo questão de dar um recado para quem quer, como ele, começar cedo: "Antes de ouvir qualquer música, procure ouvir a música popular brasileira. Que é a mais rica do mundo. Se você escutá-la uma vez, não vai parar mais".

    Sempre gostou de cantar samba e, uma vez bem enraizado, nosso Mamão deu bons frutos. A primeira composição veio com um convite de um amigo para participar de um festival de música de Juiz de Fora, na década de sessenta. O primeiro samba foi "Água deu, água levou", que falava das desavenças de carnaval. A música fará parte de seu segundo CD, que será lançado em março de 2004.

    Ao longo da carreira, foram mais de 200 sambas, alguns gravados por grandes nomes como Elen Lima, Alcione, Clara Nunes e Luis Airão. O maior sucesso foi "Tristeza pé no chão". A música foi interpretada por Clara Nunes, gravada no exterior e ficou 16 semanas nas paradas de sucesso. Composição preferida? "Todas elas. É questão do momento", diz Mamão. As influências vieram da música popular brasileira e nomes como Noel Rosa e Cartola. "Depois veio Chico Buarque, que é um Noel Rosa mais moderno. Acho que todo mundo se inspira no Chico Buarque". Sua maior satisfação é ter participado ativamente do carnaval da cidade em todos esses anos, exercendo certo papel de liderança. O compositor também se orgulha de já ter feito samba para quase todas as escolas de Juiz de Fora e de ter gravado um CD.

    Bloco do Beco
    Mamão foi um dos fundadores do Bloco do Beco. "Há mais de trinta anos, um grupo de amigos resolveu formar o bloco para preservar o carnaval de rua de Juiz de Fora, que já dava indícios de que estava acabando", conta Aguiar. Hoje, o bloco sai com cerca de 500 componentes e é acompanhado por duas mil pessoas na descida do calçadão. "O povo é carente desse tipo de coisa.

    Quando vê uma oportunidade de se divertir gratuitamente, vai mesmo", avalia. Não faltam episódios curiosos na história do Beco. "Em uma das primeiras vezes que saímos com carro de som, fomos com uma Kombi de vê vender laranja na feira. Na hora, a Kombi quebrou e tivemos que carregar o bloco e empurrar a Kombi com o dono dentro", conta o sambista. Em outra ocasião, foram obrigados a mudar o repertório "por motivo de força maior". Pois haviam feito um samba chamado "Saudade do casarão", sobre a saída da delegacia da rua Batista de Oliveira. "Alguns policiais começaram a rondar o pessoal do bloco, achando que o samba ia falar demais. A gente então resolveu cantar Coração leviano´, do Paulinho da Viola", relembra Mamão.

    O samba deste ano é o "Cantando pra não chorar" e faz citação de vários sambas. "Algumas escolas do Rio resolveram reviver sambas antigos e nós aproveitamos para relembras algumas composições também", explica Mamão.

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