Deborah Moratori
20/10/03
O karatê substituiu o kung-fu por questões meramente financeiras. Depois de abandonar a academia onde treinava com o Mestre Adilson, Marcelo conta que passou a praticar o karatê em casa com alguns amigos e um professor, o Sensei Márcio Spagnoli. "Foi com ele que aprendi a arte do karatê", recorda.
Aos 16 anos, o atleta foi morar nos Estados Unidos. Em Nova Iorque, deu continuidade à prática do karatê. "Lá eu era aluno de um sensei, que quer dizer professor em japonês, do Japão. Ele me ensinou o estilo shotokan", diz. O shotokan, segundo Marcelo, é uma modalidade em que os golpes são socos e chutes tendo como alvo o tórax do adversário.
Campeão internacional
O estilo katsugo karatê ele conheceu em New Jersey. É esse
estilo que o atleta põe em prática na academia onde é professor aqui em Juiz
de Fora. Marcelo diz que se apaixonou pela modalidade que reúne as técnicas
do boxe tailandês, do judô e do jiu-jitsu baseadas na
filosofia do karatê. Foi lá que o atleta conquistou diversos troféus em
campeonatos regionais, guardados, com carinho, na casa da mãe que ficou nos
Estados Unidos. "Só deu para trazer as medalhas".
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Essas medalhas foram resultados de campeonatos estaduais, na Flórida, onde conheceu outro estilo, o uiche-ryu - karatê tradicional -, sem abandonar o katsugo. "A mais importante é essa aqui, mostra, que me classificou para a disputa nacional que eu acabei não competindo porque tive que mudar outra vez", lamenta-se. A classificação está gravada na memória e bordada na manga do quimono que faz questão de exibir.
De volta a Juiz de Fora, cidade natal, o atleta
dedica, afastado das competições, seus conhecimentos
sobre as artes marciais aos alunos da academia onde é conhecido como
Sensei Marcelo. O título de sensei é concedido aos professores e
mestres, os "faixa preta". "No katsugo são 12 faixas da branca - a
amarela é concedida no primeiro exame - à preta. Para se tornar professor, o
atleta, depois de conquistar esta última faixa, ainda passa por um período
de um ano de preparação onde aprende a ensinar as técnicas do karatê e se
torna um sensei".
Lição de vida
E para quem pensa que as artes marciais se resumem à técnica de lutas,
engana-se. O sensei explica que há duas coisas para serem trabalhadas: o
autocontrole durante as lutas e a filosofia que está por trás
das técnicas. "A maioria das academias de karatê utiliza os ensinamentos do
budismo. Aqui nós somos filiados à Associação Mundial Karate for Christ",
diz. Marcelo explica que essa associação surgiu nos Estados Unidos na
tentativa de substituir a filosofia oriental pelo cristianismo, ideologia
típica do país.
No emblema bordado no quimono estão as palavras de ordem da associação: honor, faith e power - honra, fé e força, em português, conceitos que Sensei Marcelo faz questão de disseminar aos alunos da academia.