Ana Stuart 14/3/2011 A mulher e o aprendizado
Em 8 de março de 1857, quando, nos Estados Unidos, 146 trabalhadoras reivindicavam seus direitos numa fábrica e consequentemente morreram queimadas, instituiu-se o que este seria o Dia Internacional da Mulher. Portanto, este é um mês de reflexões quanto ao papel da mulher em nossa atual sociedade.
No imaginário masculino, antigamente, a mulher era vista como assexuada ou prostituída, não havia meio-termo, o ato sexual era tabu.
Antes de casar, a mulher não podia nada, até sair da igreja casada. Mas quando isto acontecia, ela tinha a obrigação de ter que fazer tudo, sexualmente falando. A própria lei protegia o homem no sentido de devolver a mulher, caso ela se recusasse a ter relações sexuais depois do casamento.
Após a 2ª Guerra Mundial, as mulheres tiveram que ir à luta e, com isto, aprenderam que podiam mais do que achavam que podiam.
Com esta emancipação econômica e intelectual, descobriram também que viviam divididas entre o amor sexual e a castidade religiosa de um corpo materno santificado.
E desta forma, de posse da sua sexualidade, passou a permitir-se o prazer sem culpa e sem medo.
Aprendeu a seduzir tanto quanto a ser seduzida. Aprendeu a dizer sim e dizer não, sem culpa e sem medo, aprendeu que é muito forte.
Que ser mãe traz um grande status. Aprendeu o encanto de sair do recato para a visibilidade, aprendeu a cuidar do próprio corpo, aprendeu que pode dar conta da tripla jornada de trabalho, que pode ser a Maria e fazer pós-doutorado.
Aprendeu também que não precisa aturar homens bêbados e seus jogos infantilizados e possessivos.
Aprendeu que deve e pode ir ao ginecologista, conhecer o próprio corpo e segurar as próprias rédeas da saúde através da prevenção.
Em meio a tudo isto, o que nós mulheres não podemos perder de vista é a coragem e a ternura, características femininas invioláveis.
Coragem de tentar, de novo, sempre, nem que seja dentro da mesma situação. Coragem de não fingir, coragem de enfrentar a intimidade e principalmente a coragem de não se submeter.
E a ternura, mesmo estando eroticamente emancipada.
Aprender enfim que, para ser feliz, basta não perder de vista o amor próprio, a família e a espiritualidade.
Ana Stuart
é psicóloga e terapeuta familiar
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