Saúde


Artigo
Tratamento cirúrgico
das fissuras labiopalatais
::: 17/09/2002

As fissuras labiopalatais podem aparecer associadas às síndromes hereditárias determinadas por herança ou por alterações cromossômicas. Nesses casos, porém, são raras e representam 5% do total. A maioria dos casos é não sindrômico, ou seja, é uma alteração isolada e, nessas condições, devemos fazer a distinção entre lábio leporino (com ou sem palato fendido) e palato fendido, isoladamente, já que se constituem em patologias desenvolvimental e geneticamente distintas.

O lábio leporino, com ou sem palato fendido, ocorre aproximadamente de um para 500 a um para mil recém-nascidos, sendo a raça amarela e homens os mais afetados. Já o palato fendido tem incidência de aproximadamente de um para mil e quatrocentos recém-nascidos, sendo mais freqüente em mulheres e não tem influência racial.

A presença de lábio leporino causa forte impacto emocional nos pais e familiares, por ser aparente, localizada em segmento de muita importância estética, causando desarmonia facial e afetando uma estrutura muito envolvida no processo de alimentação do recém-nascido. Há uma grande ansiedade para que se faça a correção cirúrgica rapidamente.


Porém, consideramos que só após 3 meses de vida a criança tem condições de submeter-se à cirurgia reparadora, uma vez que se encontra em curva ascendente de crescimento e, na avaliação pré-anestésica, apresente condições satisfatórias para a anestesia geral.

Já a fissura palatina não causa tanto impacto inicial por estar dentro da cavidade oral. A ansiedade aparece quando, ao sugar, a criança elimina o leite pelo nariz e não consegue se alimentar corretamente. Todas essas dificuldades são facilmente contornáveis com o uso de placas palatinas pré-moldadas, de fácil manejo pela mãe ou familiares, além de orientação da posição correta para alimentar o bebê.

O fechamento cirúrgico do palato, precocemente, tem sido bastante estudado, para evitar articulações anormais dos fonemas, que se iniciam entre seis a nove meses de idade. Entretanto, este reparo deve ser efetuado em excelentes condições locais e anatômicas, com as menores chances de complicações locais e com menores riscos de uma segunda cirurgia. Após o primeiro ano de vida, o crescimento do palato já é significativo, as estruturas anatômicas são mais facilmente identificáveis, tornando mais exeqüível a cirurgia.

Em nosso meio, devido aos pacientes apresentarem com freqüência hipoproteinemia e anemia hipocrômica, ficou estabelecido que a idade ideal para fechamento da fissura palatina é aos 18 meses de idade, podendo ocorrer após um ano de idade, dependendo do tipo de fissura e das condições clínicas da criança.

O tratamento destes casos baseia-se principalmente em um tripé, constituído pelo cirurgião plástico, fonoaudiólogo e ortodontista que trabalham harmonicamente, objetivando um melhor resultado final. É importante também o concurso do pediatra e do anestesista para o necessário suporte pré, per e pós-operatório.

Em Juiz de Fora, este tratamento se desenvolve com excelência no Serviço de Cirurgia Plástica do Hospital Universitário, há mais de 25 anos. Todos os profissionais exigidos no tratamento de fissuras labiopalatais são encontrados na Universidade Federal de Juiz de Fora, estando ausente do HU apenas devido à estrutura física, a Odontologia, que mantém largo intercâmbio com os Serviços do Hospital Universitário.

A cirurgia plástica tem ambulatórios para atendimento à população de segunda a quinta-feira, em horários diversos que poderão ser informados no próprio hospital, via telefone. Cirurgias para correção de fissura lábio palatina estão acontecendo semanalmente no Hospital Universitário, com ótimos resultados tanto para a equipe, quanto para os familiares que se propõem a tratar suas crianças, já que na equipe interdisciplinar a família é o ponto chave.

Colaboração: doutora Marília de Pádua Dornelas Corrêa
Professora Assistente da Cirurgia Plástica
Supervisora da Residência Médica em Cirurgia Plástica - HU UFJF
e-mail: centroeplasticcenter@acessa.com


Cal Coimbra
é psicóloga e fonoaudióloga especialista em voz
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