Saúde


Artigo
Musicoterapia:
os benefícios para a comunicação
::: 17/03/2003

Cantai e dançai juntos e sede alegres;
mas deixai cada um de vós estar sozinho.
Assim como as cordas da lira são separadas e,
no entanto, vibram na mesma harmonia.
Gibran K. Gibran

A mãe e seu bebê estão envolvidos em um diálogo muito antes dele nascer. Isso sugere que grande parte da alegria e da tristeza de uma pessoa está em torno de ligações ou relacionamentos afetivos durante esse período de vida.


Iniciando o diálogo
A voz é o meio mais natural de comunicação entre as pessoas e propicia, também, a função artística para se fazer música e dança com o corpo. A melodia, pela sua magia e instigante beleza, constitui um dos fatores mais benéficos para a saúde da comunicação entre mãe e filho que, antes mesmo do nascimento, por volta de cinco semanas de gestação, já mostra atividades de movimento corporal com ritmos especiais. O diálogo vai se iniciar quando a sensação desse movimento, sentido pela mãe, envolver a consciência de um ser independente com extraordinária capacidade de manifestações próprias.

A riqueza do diálogo apresenta infinitas possibilidades de sensações numa “coisinha” tão pequena, que ainda vai ter o mundo todo à sua espera para continuar esse processo, como facilitador de uma comunicação saudável.

Ritmos musicais e movimentos corporais
O ritmo representa o suporte físico da música. Ele vai impulsionar movimento e engrenagem na dança, que faz interagir fisicamente a união entre duas ou mais pessoas.

Os sentidos para ver, ouvir, sentir gosto e a sensação de ser tocada começam a funcionar com respostas complexas às emoções e ações desde cedo. Imaginemos toda essa capacidade melódica num bebê, que está envolto por uma sinfonia de sons e vibrações dentro de um corpo protetor, o da sua mãe, importante para a vida adulta.

A musicoterapia como facilitadora na interação
As canções podem ter sons simples, mas quando se entrelaçam com textos poéticos, tornam-se ricas em harmonia, prazer e felicidade. Cantando para seu filho, a mãe libera emoção. A escuta, pela criança, vai facilitar o processo de interação, impulsionando o canto para a imitação e espontaneidade, extraindo da melodia, conteúdo e significado. Falamos, então, das estruturas básicas de elo ou rompimento comunicativo.

Em muitos casos, tanto em adultos ou crianças, que perderam a capacidade de manter seus canais de comunicação abertos, a musicoterapia tem obtido bons resultados, como apoio na dissolução mais rápida desses bloqueios, sejam de estruturas básicas congênitas ou adquiridas. Fonoaudiólogos e musicoterapeutas são grandes parceiros profissionais nesse instigante e maravilhoso trabalho.


Cal Coimbra
é psicóloga e fonoaudióloga especialista em voz
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