Pais e mães devem ficar atentos à alimentação dos filhos.
Papel da escola é fundamental para evitar a obesidade
Sílvia Zoche
15/10/2004
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A obesidade já é considerada uma epidemia pela Organização Mundial de Saúde e, como doença, deve ser tratada. É o que diz a médica nutróloga Alice Amaral.
A obesidade infantil é uma realidade que pode provocar diversos problemas de saúde. A recomendação dos médicos é que a criança obesa deve ser submetida a uma completa e minunciosa análise e a um exame físico.
A médica nutróloga Alice Amaral alerta para a importância da presença
dos responsáveis pela criança durante os exames e tratamentos.
"A
responsabilidade pela boa alimentação não é só do médico. Compete aos pais
dar o exemplo de uma boa alimentação", diz.
Isso depende de uma conscientização geral da sociedade como diz a médica. Por isso, as estatísticas da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que, se os pais dessas crianças e adolescentes não mudarem agora os hábitos de vida dos filhos, mais de 70% deles farão parte de uma geração de gordos, vítimas em potencial de doenças como a diabetes e cardiopatias.
Prevenção é o caminho
A prevenção da obesidade deve começar no útero da mãe, que deve ter uma
alimentação balanceada para não prejudicar a saúde de nenhum dos dois. Nos seis
primeiros meses de vida, a médica diz que a criança precisa somente do leite
materno. "Do ponto de vista nutricional, o bebê não precisa de mais nada". A
partir dos seis meses, o bebê pode ser alimentado também com papinhas, frutas
e continuar mamando no peito. "O leite materno é importante na prevenção
da obesidade", completa a médica.
Os cuidados na alimentação devem continuar durante o crescimento da criança. Para tanto, é importante que a família se alimente bem. "A criança vai comer o que os pais comerem. Não adianta falar que a comida gordurosa faz mal se o pai e a mãe comem. É a mesma coisa que um pai fumante falar com o filho que o cigarro faz mal e que ele não deve fumar. A criança segue exemplos", diz.
Na escola é importante enfatizar a hora do recreio. "A função da escola é educar, inclusive durante o recreio. As cantinas devem oferecer opções saudáveis, o que é muito raro. A criança acaba comendo salgadinhos industrializados, frituras e tomando refrigerante. Antigamente, a criança levava pão com queijo, café com leite ou suco em sua merendeira. Hoje, a alimentação é mais calórica".
Alimentação e auto-estima
E como explicar para a criança obesa que os amiguinhos comem chocolate, biscoitos
recheados, salgadinhos fritos, tomam refrigerante e ele não deve acompanhar
estes hábitos? Para a médica Alice Amaral, a criança entende mais fácil que o
próprio adulto. "É claro que incialmente é difícil. Ela acha que se levar
uma fruta para escola vai estar 'pagando mico'. Mas com o tempo ele percebe
que a vida dela melhora e, mais uma vez, é importante a participação da
escola neste processo".
A médica lembra que os avós precisam se conscientizar também. "Eles são do tempo em que bebê gordinho é que era saudável. Hoje a gente sabe que não é mais assim. E costumam ficar indignados quando a mãe proíbe que a criança coma biscoitos recheados e chocolates o tempo inteiro".
A mudança de hábitos é necessária, porque, em alguns casos, a auto-estima da criança obesa pode ser afetada. "Os amiguinhos não têm 'papa na língua' e chamam o coleguinha por diversos apelidos inconvenientes", lembra a médica. A criança se afasta do grupo e fica, cada vez mais, dentro de casa na frente da televisão e do computador.
Outro dado que deve estar aliado à alimentação é a prática de esportes. "Na escola, a aula de educação física não é suficiente para a criança gastar o tanto de calorias que ingeriu. Antes, as crianças ficavam brincando de queimada, esconde-esconde a tarde inteira e tinham uma alimentação saudável com frutas, verduras e legumes e tomava suco. Refrigerante só em dia de festa. Por isso, é importante a conscientização e prevenção, mas isso demora um pouco", ressalta Alice Amaral.
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A médica nutróloga, Alice Amaral, fala sobre a influência da
família e da escola na alimentação das crianças