Auto-medicação pode causar até cegueira
A conjuntivite viral e alérgica são mais comuns no inverno
Djenane Pimentel
29/04/2004
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De repente você percebe que seu olho está vermelho e coçando. O que você faz? Se a resposta é: procuro imediatamente um médico, parabéns, porque a maioria das pessoas vai até à farmácia mais próxima e pede um colírio para o balconista ou farmacêutico. Daí, este, que se diz experiente no assunto, receita um colírio "muito bom". Mas, o que poucos sabem é que este remedinho inocente pode até mesmo causar cegueira.
A oftalmologista, Vanessa Paletta Guedes (foto ao lado), diz que
a conjuntivite viral, típica do inverno, é altamente contagiosa e preocupa oftalmologistas
pelo fato de a auto-medicação ser mais perigosa neste caso. "Como orientação
geral é preciso ter muito cuidado com o uso de colírios sem um diagnóstico
preciso. Os corticóides, por exemplo, receitados pela maioria dos
farmacêuticos, podem ser muito prejudiciais em determinadas lesões, como nas
conjuntivites virais", alerta a médica.
Segundo ela, os olhos são estruturas muito delicadas e nem todo colírio que serve para uma pessoa, servirá também para a outra. "A auto-medicação é sempre perigosa mas, neste caso, o uso destes remédios podem, até mesmo, causar a perfuração da córnea, havendo perda da visão", alerta.
Existem mais de dez tipos
Engana-se quem pensa que a conjuntivite é uma doença de verão. "Existem mais
de dez tipos. As mais comuns são a infecciosa, bacteriana, alérgica e viral,
sendo que as duas últimas são típicas do inverno", informa Vanessa.
Por ser tão contagiosa, a conjuntivite viral, de acordo com a médica, é a
maior responsável pelas epidemias. "Devido à facilidade de contágio, é
necessário o afastamento do trabalho, para que o tratamento não se torne
mais prolongado e evite uma epidemia", esclarece. Segundo ela, é comum que,
nesta época, muitas pessoas fiquem gripadas e manifestem, ao mesmo tempo, a
conjuntivite. "O Adenovírus (vírus da gripe) também pode transmitir a
conjuntivite. Alguns podem, até mesmo, manifestar somente a conjuntivite e
não a gripe", afirma.
A falta de uma correta higienização no local também pode fazer com que, em alguns casos, a doença evolua de uma conjuntivite viral para a bacteriana. "Assim, a pessoa fica com os dois tipos da doença, o que não é nada bom", avisa.
A oftalmologista aconselha, para todos os tipos da doença, muito repouso, bastante líquido, limpeza correta, arejamento dos ambientes, além do acompanhamento do médico, importante para o diagnóstico e tratamento adequado. "Ambientes fechados são propícios para o aparecimento, devido ao contato direto e próximo com as outras pessoas", esclarece. Portanto, se observar vermelhidão, secreção, lacrimejamento, pálpebras inchadas e sensação de corpo estranho nos olhos, lembre-se dos principais sintomas da doença e não corra na farmácia - procure um médico.
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