Saúde

Equoterapia Método terapêutico que utiliza o cavalo nas sessões, auxilia no desenvolvimento de crianças com problemas físicos e mentais

Renata Cristina
*Colaboração
21/01/05

Foto: ACESSA.com O portador de distúrbios psiquícos, Victor Roberto Gregório (foto ao lado), vivencia problemas de sociabilização, concentração e aprendizado. Após seis meses de prática da equoterapia, o menino de apenas 8 anos, alcançou avanços físicos e mentais.

A mãe, Rosane Gregório, conta com entusiasmo que, logo nas primeiras semanas de tratamento, ele passou a agir de forma mais sociável. "Ele melhorou o relacionamento com os irmãos e também o jeito de andar, falar e aprendeu até as cores", diz orgulhosa.

A psicopedagoga, Luciana Rocha, uma das profissionais que atua no seu tratamento equoterápico, explica que as atividades propostas para Victor são focadas no aprendizado e na capacidade de concentração. Além da equoterapia, o garoto conta com o acompanhamento psiquiátrico, fato que contribui ainda mais para o seu desenvolvimento.

O que é equoterapia?
Segundo a Associação Nacional de Equoterapia (ANDE/Brasil), este é um método terapêutico que utiliza o cavalo dentro de uma abordagem interdisciplinar nas áreas de saúde, educação e equitação, buscando o desenvolvimento biológico, psicológico e sociológico de pessoas portadoras de deficiências ou com necessidades especiais.

Foto: ACESSA.com Luciana acredita que a vivência de novas experiências e desafios, o contato com a natureza, o estímulo a aprendizagem, memorização e concentração estão entre os benefícios da prática. "A equoterapia possibilita uma relação concreta e interpessoal, oferecendo formas de aplicação que nenhuma outra terapia pode oferecer, como o ambiente de trabalho: o picadeiro (coberto ou descoberto); a pista (de areia ou grama); enfim, ambientes que fogem aos padrões convencionais", diz.

"As principais indicações são para os casos de paralisia cerebral, autismo, hiperatividade, depressão infantil ou até mesmo problemas comportamentais e distúrbios de aprendizado", diz a psicóloga Christiana Cunha.

Ela ressalta que a eficácia desse tratamento está na atuação de vários profissionais. "A equoterapia é marcada pelo trabalho conjunto de psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudilógos, terapeutas ocupacionais, professores de educação física, etc".

Por que o cavalo?
Foto: ACESSA.com A utilização de cavalos para fins terapêuticos atravessa a história - desde 458-377 AC são registradas essas experiências. A técnica foi se aprimorando e em 1965, a Universidade de La Salpentiére (Paris) adotou a equoterapia como matéria didática universitária.

Durante 20 anos (1974 a 1994) foram realizados diversos congressos internacionais para a discussão da prática. No Brasil, a ANDE oficializou a terapia com cavalos em 1989 e em 1997 o Conselho Nacional de Medicina reconheceu esse programa.

A psicopedagoga explica que o cavalo é um animal dócil, capaz de aceitar com facilidade diferentes relacionamentos. "Ele aceita qualquer criança de forma incondicional. Além disso, sua estrutura física permite a realização de um movimento tridimensional, que é semlhante ao do homem quando caminha. Isso ajuda em correções de posturas, por exemplo".

Programas
A equoterapia abriga programas específicos para determinadas patologias. No entanto, Christiana orienta que esses itens não são obrigatórios e podem ser combinados de acordo com a demanda do paciente. Veja quais são os programas básicos:

  • Hipoterapia: é um programa da área de reabilitação, voltado para as pessoas portadoras de deficiência físca e/ou mental. Os profissionais de saúde são os mais voltados para esse tipo de terapia, que necessita de um mediador montado ou a pé, para a execução dos exercícios programados.
  • Educação - Reeducação: este programa pode ser aplicado tanto na área reabilitativa quanto na área educativa. O praticante tem condições de exercer alguma atuação sobre o cavalo e conduzi-lo, dependendo em menor grau do auxiliar-guia. A ação dos profissionais de equitação tem mais intensidade, embora os exercícios devam ser programados por toda a equipe.
    Pré-esportivo: é aplicado nas áreas reabilitativas e educativas. O praticante tem boas condições para atuar e conduzir o cavalo, podendo praticar exercícios de hipismo.
    Saiba Mais:
  • ANDE Brasil

    *Renata Cristina é estudante do 8º período da Faculdade de Comunicação da UFJF