O portador de distúrbios psiquícos, Victor Roberto Gregório (foto ao lado), vivencia
problemas de sociabilização, concentração e aprendizado. Após seis meses de prática da
equoterapia, o menino de apenas 8 anos, alcançou avanços físicos e mentais.
A mãe, Rosane Gregório, conta com entusiasmo que, logo nas primeiras semanas de tratamento, ele passou a agir de forma mais sociável. "Ele melhorou o relacionamento com os irmãos e também o jeito de andar, falar e aprendeu até as cores", diz orgulhosa.
A psicopedagoga, Luciana Rocha, uma das profissionais que atua no seu tratamento equoterápico, explica que as atividades propostas para Victor são focadas no aprendizado e na capacidade de concentração. Além da equoterapia, o garoto conta com o acompanhamento psiquiátrico, fato que contribui ainda mais para o seu desenvolvimento.
Luciana acredita que a vivência de novas experiências e
desafios, o contato com a natureza, o estímulo a aprendizagem, memorização e
concentração estão entre os benefícios da prática. "A equoterapia
possibilita uma relação concreta e interpessoal, oferecendo formas de
aplicação que nenhuma outra terapia pode oferecer, como o ambiente de
trabalho: o picadeiro (coberto ou descoberto); a pista (de areia ou grama);
enfim, ambientes que fogem aos padrões convencionais", diz.
"As principais indicações são para os casos de paralisia cerebral, autismo, hiperatividade, depressão infantil ou até mesmo problemas comportamentais e distúrbios de aprendizado", diz a psicóloga Christiana Cunha.
Ela ressalta que a eficácia desse tratamento está na atuação de vários profissionais. "A equoterapia é marcada pelo trabalho conjunto de psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudilógos, terapeutas ocupacionais, professores de educação física, etc".
A utilização de cavalos para fins terapêuticos atravessa a história - desde
458-377 AC são registradas essas experiências. A técnica foi se aprimorando
e em 1965, a Universidade de La Salpentiére (Paris) adotou a equoterapia
como matéria didática universitária.
Durante 20 anos (1974 a 1994) foram realizados diversos congressos internacionais para a discussão da prática. No Brasil, a ANDE oficializou a terapia com cavalos em 1989 e em 1997 o Conselho Nacional de Medicina reconheceu esse programa.
A psicopedagoga explica que o cavalo é um animal dócil, capaz de aceitar com facilidade diferentes relacionamentos. "Ele aceita qualquer criança de forma incondicional. Além disso, sua estrutura física permite a realização de um movimento tridimensional, que é semlhante ao do homem quando caminha. Isso ajuda em correções de posturas, por exemplo".
*Renata Cristina é estudante do 8º período da Faculdade de
Comunicação da UFJF