Saúde

Fonoaudiologia

Cantoterapia
Dinâmica utiliza a música para pessoas que querem sair da depressão, liberar a raiva, acabar com a timidez e melhorar a voz

Sílvia Zoche
Repórter
04/04/2005

A psicoterapeuta Cida Rigotti explica o que é a Cantoterapia. O terapeuta Newton Ferruggini dá um exemplo de vocalize, ensinado durante o curso

Veja! Veja!

"Quem canta, seus males espanta", diz o ditado e também o que prega o curso de cantoterapia.

A terapia através da música trabalha a timidez, a depressão, o stress e libera a raiva, que intoxica o organismo. Com técnicas respiratórias, aulas de expressão corporal e de canto, propriamente dito, os alunos aprendem a se soltar e conseguem aliviar as tensões do dia-a-dia e a enfrentar o medo. Assim definem a psicoterapeuta, Cida Rigotti, e o terapeuta e tenor, Newton Ferrugginni.

Com experiência de dois anos na área, eles afirmam que os alunos conseguem notar a diferença nas próprias vidas. "Você transforma o 'elefantão' em 'formiga'. Você aprende a ver o mundo de frente", explica Cida. "A música faz a pessoa descobrir a própria voz, conhece os próprios recursos e limites e passa a gostar mais de si mesma", completa Ferrugginni.

"Na dinâmica, a pessoa aprende a fazer a troca energética com o mundo", diz Cida. Para que todos os alunos possam ter atenção dos professores, a turma de cantoterapia chega, no máximo, a oito pessoas. "A gente quer dar atenção a cada um deles", explicam.

As técnicas
O primeiro momento para o aluno é respirar. "É a hora do relaxamento, de fazer troca energética com o ambiente", diz Cida.

Depois, Ferrugginni ensina a forma correta de respirar que é movimentando o diafragma. Inspira-se e enche de ar o abdômen e expiram, esvaziando o abdômen. Esta é a respiração dos bebês.

"Depois que colocamos um espelho grande na sala, os alunos têm gostado muito de se ver respirando corretamente", conta Ferrugginni. "A respiração é o sopro da vida", e Ferrugginni completa: "A respiração é o som do silêncio".

O segundo passo são as técnicas corporais usando a dança - em que os alunos acompanham o ritmo da música da forma que desejarem - e através de exercícios teatrais. "Usamos textos de Maria Clara Machado e Augusto Boal". Para o conhecimento corporal, os terapeutas utilizam o livro O corpo Fala, de Pierre Weil.

O momento mais esperado é a hora de soltar a voz. "Começamos com o aquecimento vocal, pelos vocalizes", que modula a voz sobre uma vogal. Cida acompanha os alunos no teclado.

As músicas vão dos temas clássicos aos populares. O carro-chefe do curso são as letras do compositor Renato Russo. "Temos alunos da 3ª idade, que acham que Renato Russo é rock e que não vão gostar. Ma acabam descobrindo o poeta. é divertido", fala Cida. Primeiro estuda-se o poema, em seguida, lêem ou cantam os nomes das notas e, finalmente, cantam. E o importante é que cada um encontre o seu próprio tom. "Não queremos ninguém imitando o Renato Russo ou outro cantor. A intenção é que, ao descobrir o seu potencial de voz, o aluno perca o medo, a timidez e mostre sua personalidade", explicam.

A voz
Depois de fazer o curso, os terapeutas percebem que os alunos perdem a timidez. Um exemplo que deram foi de uma senhora que faz parte de um coral, mas não tinha potência de voz. "Foi possível notar o avanço dela. A voz dela quase não saía. Agora ele canta que é uma maravilha", diz Ferrugginni.

Quem participa do curso tem a exata noção de como sua voz deve ser empostada em um coral e isoladamente. "Cada um sabe o registro de sua voz", explicam.

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