Juiz de fora realiza operação que só acontece em quatro cidades do Brasil: a cirurgia para tratar do "olho esbugalhado"
Fernanda Leonel
Réporter
08/02/2006
|
|
||
"Ver a vida com outros olhos!" Quem nunca escutou essa expressão e tentou
fazer dela um objetivo de vida, que atire a primeira pedra. Mas a conhecida
frase, que para muitos quer dizer novo comportamento, desapego de alguns valores,
foi seguida ao pé da letra por duas juizforanas e uma ubaense em dezembro do ano passado.
Foram mulheres as três pacientes que agora exergam a vida de um jeito diferente. L., R. e Elvira Consentino (foto) foram as primeiras da região a se submeter a uma cirurgia pioneira na Zona da Mata: a descompressão orbitária para tratamento de exotalmia, problema conhecido popularmente como olho esbugalhado.
As cirurgias foram realizadas na Santa Casa de Juiz de Fora por uma equipe de seis médicos das mais diversas especialidades. Cinco deles juizforanos, sendo a única exceção, o otorrinolaringologista Manuel Cataldo, vindo de Belo Horizonte, que já realiza esse tipo de operação na capital mineira.
O otorrinolaringologista veio para orientar e auxiliar médicos juizforanos nas primeiras experiências dessa cirurgia tão delicada e realizada por tão poucos médicos no Brasil. Cataldo é o responsável pela preparação da equipe que, em breve, vai atuar sozinha.
Quatro cidades e menos de dez médicos capacitados para a realização da descompressão orbitária em todo o Brasil. Números que dão orgulho ao juizforano que não precisa mais se deslocar tão longe da sua cidade, para realizar uma cirurgia desse tipo.
O diretor clínico da Santa Casa de Juiz de Fora, José Limar de Oliveira, destaca a importância da realização desse tipo de cirurgia para a cidade e para a medicina local. Ele explica que a técnica só é realizada em grandes centros como São Paulo, Rio de Janeiro ou Belo Horizonte."Dessa forma, Juiz de Fora sai na frente como cidade de médio porte que realiza a descompressão órbitária", afirma.
Mais sobre a doença
O humorista Fernando Caruso, que atua no Programa Zorra Total é um caso
bastante conhecido de exoltalmia. O ator, que interpreta o personagem
Boquinha, limpador de vidraças e possui o bordão "Olha o Lula
indo... Olha o Lula vindo", faz piada com o distúrbio na televisão.
A Exoltalmia, ou olho esbugalhado, é uma conseqüência do Hipertireodismo, doença imunológica bastante comum entre os brasileiros. Mas tenha calma. Nem todo mundo que possui hipertireodismo pode desenvolver a disfunção!
Segundo o oftalmologista Newton Vale (foto acima), um dos membros da equipe que realizou as primeiras cirurgias, somente 40% dos pacientes que possuem desequilíbrio nas funções da tireóide desenvolvem a exotalmia.
O oftalmologista explica que quem possui hipertiroidismo, desenvolve uma alteração nas funções da tireóide, o que provoca o aumento da gordura em várias partes do corpo. Porém, em 40% dos casos o aumento da massa adiposa também afeta a órbita, que é a cavidade do olho.
A órbita, já possui uma certa quantidade de gordura, que serve como uma espécie de "almofada" para os olhos. Com o aumento da gordura nessa região pela disfunção da tireóide, essa "almofada" fica maior, aumenta a pressão na região, e conseqüentemente expulsa os olhos do paciente para fora. Newton Vale diz que entre os brasileiros é normal uma expulsão do olho até 20 milímetros. O que está acima disso, já é resultado da exotalmia.
A cirurgia
A cirurgia deve ser multidisciplinar. Várias especialidades da medicina são
necessárias durante o processo, já que o problema é conseqüência de outro.
O endocrinologista deve ser o primeiro profissional consultado, já que estar
com a tireóide controlada é o primeiro requisito para poder realizar a
cirurgia. Depois, um oftalmologista deve medir a necessidade e a quantidade
de gordura que deve ser "descomprimida" no paciente. Na hora da operação,
participam clínicos, anestesistas, otorrinos, entre outros.
Mas apesar da cirurgia ser o tratamento mais comum, pode acontecer que pacientes com hipertireoidismo controlado sofram uma diminuição da pressão da gordura orbital, o que reduz naturalmente a expulsão dos olhos. Apesar de não acontecer em grandes quantidades, é uma possibilidade médica.
|
|
|
Para os que não conseguem a regressão natural, o oftalmologista alivia: "A cirugia não é de grande risco, tecnicamente ela pode ser considerada uma cirurgia simples. O que faz com que haja tão poucos profissionais no Brasil que se habilitem a realizar essa operação está no fato de que ela mexe com uma região muito delicada. Para realizar a cirurgia fazemos intervenção no olho, nos ossos da face e na base do crânio", explica o médico.
Os procedimentos da cirurgia consistem na criação de espaços que aumentam a complacência da gordura, ou seja, a gordura continua com o mesmo volume, mas "espalhada" de forma diferente.
| Uma cirurgia de descompressão orbitária para tratamento de exoftalmia pode custar até R$ 4.000 mas, por enquanto, por estar em fase de testes, ainda está sendo realizada gratuitamente em Juiz de Fora. Os interessados devem procurar o Ambulatório de Tireóide da Santa Casa e realizar a inscrição. |
Leia mais:
- 03/03/2006 » Americanos divulgam pesquisa
- 03/03/2006 » Carpe Diem (aproveite o dia)
- 21/02/2006 » Zooterapia - Terapia com animais apresenta bons resultados no Abrigo Santa Helena. A intenção é expandir o projeto em outras instituições
- 17/02/2006 » Avaliação Neuropsicológica nas Afasias
- 01/02/2006 » Ano novo Chinês 2006 - Ano do Cão (Gou)
- 30/01/2006 » Equilíbrio
- 28/01/2006 » Tá com sede?
- Leia mais matérias em arquivo...
