Saúde


Artigo
Avaliação Neuropsicológica nas Afasias

::: 17/02/2006

As afasias são alterações da linguagem, freqüentemente causadas por lesões neurológicas (acidente vascular encefálico, traumatismos crneoencefálicos, tumores etc).

Existem vários tipos de afasias, sendo que o tipo mais grave, a afasia global que compromete tanto a produção da fala, quanto a sua compreensão, é mais rara. Mesmo assim, esses pacientes conseguem, na maioria dos casos,recuperar total ou parcialmente a compreensão do que se fala.

Os tipos mais comuns de afasias são as de expressão, também chamadas de afasia de Broca porque atingem a área da fala no cérebro que foi identificada por esse neurologista. A afasia de Wernicke compromete a área cerebral de compreensão da palavra falada.

Existem outros tipos mais complexos de afasias e é importante saber identificá-los para que se possa iniciar um trabalho de reabilitação, feito por profissionais habilitados. Fonoaudiólogos são especialistas no campo de diagnóstico e tratamento de déficits neurogênicos de linguagem, ou seja, da afasia.

Inicialmente haviam várias controvérsias sobre o impacto da intervenção na recuperação da afasia que deram lugar à aceitação geral das vantagens da terapia para afásicos.

Os primeiros estudos sobre tratamento de afasia foram publicados no início do século XX, sendo que o estudo feito por Mills (1904) aponta a importância de se tratar as três modalidades da linguagem.

A intervenção clínica na afasia tem sido alvo de interesse no campo da fonoaudiologia por mais de cinco décadas.

A história de estudos teóricos da afasia clínica foi se desenvolvendo e resultou da contribuição de várias disciplinas. Enquanto a psicolingüística contribui para o estudo da linguagem como processo mental, a pragmática, numa outra vertente, preocupa-se com o uso da linguagem e a interpretação dela dentro de um contexto de comunicação entre falantes e ouvintes. Esses diferentes estudos resultam na rica contribuição para o estudo clínico da afasia.

Evidentemente a terapia da afasia inclui muitas outras dimensões além do déficit psicolingüístico do paciente, sendo importante considerar as conseqüências sociais da afasia.

A intervenção clínica, com alvo na reintegração social, demonstra que a dimensão social constitui um item relevante para o estudo da afasia clínica, visto que a reabilitação é um dos principais focos dos fonoaudiólogos.

O tratamento medicamentoso de um paciente afásico depende da sua etiologia (AVE, tumor, trauma etc) e de desordens associadas (p.ex. disfagia, que se caracteriza pela dificuldade de engolir alimentos, por causa da lesão cerebral, específica neste caso da afasia).

A avaliação neuropsicológica consiste de testes específicos, visando avaliar as funções cognitivas cerebrais. São avaliadas a atenção, memória, linguagem, praxias, gnosias e funções executivas superiores (como abstração, cálculo e planejamento).

A avaliação neuropsicológica, quando aplicada para auxiliar a reabilitação e intervenções de outros terapeutas, é útil ao definir as funções mais comprometidas e as que se mantêm preservadas, para daí traçar-se um plano terapêutico.

Nos pacientes afásicos são utilizados testes específicos de avaliação de linguagem, que incluem compreensão, nomeação, fluência verbal, leitura e escrita.

Como já foi dito, nenhuma teoria isolada pode explicar todas as facetas do déficit de linguagem resultante da afasia, isso força os clínicos a olharem o problema de diferentes maneiras e integrarem essas visões em uma abordagem clínica.

A reabilitação de um paciente afásico vai depender do tipo de afasia e do grau de comprometimento do paciente. De qualquer forma, o paciente se beneficia do tratamento fonoaudiológico, tanto na recuperação da linguagem, quanto na manutenção das funções fonoarticulatórias, mastigatórias e de deglutição.

*Colaboração da Dra. Ana Laura Maciel Almeida, neurologista do setor clínico do Núcleo de Estudos de Fonoaudiologia do CES/JF.


Cal Coimbra
é psicóloga e fonoaudióloga especialista em voz
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