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Artigo Linguagem e fala: implicações para a educação no desenvolvimento escolar |
::: 16/03/2006
Freqüentemente, os conceitos de linguagem, língua e fala são usados como
sinônimos, ocasionando uma série de equívocos, relacionados com as
dificuldades apresentadas por algumas crianças, principalmente no âmbito
escolar.Os conceitos de linguaguem e língua utilizados como sinônimos ocorrem devido à tradução literal de obras literárias de autores estrangeiros, cuja sua língua natal não possua duas palavras distintas para diferenciar esses dois conceitos. Cabe a nós, usuários da língua portuguesa, contextualizar os termos.
A linguagem possui um sentido mais amplo que a língua, pois é tudo que envolve significado, não se limitando a uma única forma de comunicação. A linguagem de outros animais, a postura corporal, as expressões faciais, a maneira de nos vestirmos, os sinais de trânsito, a música e a pintura também são formas de linguagem.
O conceito de língua é mais restrito. Como sistema abstrato de regras gramaticais, ele apresenta-se em vários planos: o fonológico é um dos planos que envolve os sons da língua, o morfológico relaciona-se à forma, o plano sintático refere-se à estrutura. Os significados que a língua apresenta é estudado no plano da semântica, além do estudo do discurso, que está ligado à pragmática. É importante lembrar que existem as línguas orais-auditivas (audi- ção/oralização) e as línguas espaço-visuais (visão/sinais manuais).
Já a fala corresponde à realização motora da linguagem (língua). Compreende a articulação e a emissão dos fonemas. É um processo mecânico de comunicação verbal. Acusticamente, a fala é o som provocado pelas vibrações das pregas vocais, amplificadas pela laringe e cabeça e modeladas pelos órgãos fonoarticulatórios, formando os diferentes sons que são agrupados em palavras e frases ritmadas e faladas com certo grau de intensidade.
Em várias ocasiões, a escola exige dos alunos um nível linguístico para que consigam alcançar uma aprendizagem. Porém, a própria escola muitas das vezes não dão os subsídios necessários para as crianças adquirirem uma linguagem e aprendizagem efetivas.Torna-se necessário que profissionais da educação entendam mais a fundo as inter-relações entre linguagem e escola.
Para os profissionais que trabalham com crianças, é muito importante conhecer a distinção daqueles termos para tentar identificar e distinguir as possíveis dificuldades e encaminhar devidamente as crianças para algum atendimento específico, quando necessário, como, por exemplo, para a fonoterapia.
Finalmente, o papel da escola no desenvolvimento da linguagem, língua e fala é evidente, já que o contexto escolar contribui de forma decisiva para a evolução da comunicação oral e escrita.
*Colaboração da fonoaudióloga e prof. Mônica Schmidt de Andrade.
Cal Coimbra
é psicóloga e doutora em Fonoaudiologia
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