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    Sérgio Mamberti
    Em visita à Juiz de Fora, o secretário de Identidade e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura participa de palestra no Rainbow Fest

    Repórter: Sílvia Zoche
    Edição: Ludmila Gusman
    Designer: Lívia Mattos
    18/08/05


    Sérgio Mamberti comenta sobre a importância da internet na divulgação das informações. Leia também o projeto "Brasil sem homofobia".

    O ator, produtor, artista plástico e, atualmente, secretário de Identidade e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, Sérgio Maberti fez parte da mesa redonda da Rainbow Fórum, nesta quinta-feira, 18 de agosto. Na ocasião, ele falou sobre o Projeto Brasil Sem Homofobia, lançado em 2004, pelo Governo Federal."A Secretaria oferece o apoio necessário para a promoção da cidadania homossexual. Este ano, participamos de 28 Paradas do Orgulho Gay por todo Brasil", comenta.

    Segundo ele, todas as Paradas inscritas passaram por um critério de seleção, e tiveram o apoio da Secretaria através do Edital nº 1, de 11 de março de 2005 (publicado no Diário Oficial da União em 14 de março), que disponibilizou R$ 600 mil em recursos, dividido entre todas. A Parada Gay de Juiz de Fora foi uma das contempladas.

    Sérgio Mamberti diz que o mais importante é que o grupo GLBT sabe que a secretaria contribui para o combate à violência e discriminação e que a maior conquista é a presença, cada vez maior, das pessoas nas Paradas pelo Brasil. "As pessoas têm tomado posições e vão com seus filhos nas Paradas. Pra mim, os grandes eventos culturais acontecem nas ruas. Faço uma homenagem aos movimentos GLBT pela seriedade com que trabalham", completa.

    Leia a entrevista abaixo:

    ACESSA.com - Na posição de secretário de Identidade e Diversidade Cultural, como o que o senhor vê a participação da população, em cada cidade em que o senhor já esteve, em relação ao movimento de apoio aos homossexuais?
    Sérgio Mamberti - Como existe um apoio efetivo em termos de aporte de recursos, foi possível fazer uma organização melhor. O que houve foi um aumento da presença das pessoas nas Paradas. O último que eu fui foi em Camaçari. Foi fantástico! Uma cidade pequena, bem menor que Juiz de Fora talvez, mas uma presença maciça da população da cidade na Parada. Com a mesma alegria, com a mesma irreverência, com o mesmo humor. Mas, certamente, acho que aí a gente avança.

    O apoio efetivo do governo, não só como Secretaria de Identidade e Diversidade Cultural, mas também como participante do projeto contra a homofobia, a contrinuição se alarga, se amplia, se aprofunda também. Cada vez mais esse tema passa a ser discutido nas escolas, na comunidade, porque, realmente, a questão da violência, da discriminação e do preconceito é grande. Tem vários tipos de discriminação desde o ponto de vista social até do ponto de vista religioso.

    Trabalhar com o grupo GLBT é um grande prazer, porque são organizados, mobilizam uma grande parte da população - dos movimentos sociais, talvez, seja o que mais consegue colocar o povo na rua e trazer a sua causa. Acho muito bonita a maneira como eles têm trabalhado essa causa, de uma forma muito corajosa e, ao mesmo tempo, muito persistente. Nós pretendemos atender, aos poucos, uma série de reivindicações, mas temos uma relação direta com o Ministério da Educação, no sentido de capacitação de professores e de introdução do tema no currículo escolar, do professor Ricardo Henriques, que é secretário da Diversidade, na área da Educação, criada especialmente para tratar de questões como essa. Nós poderemos ampliar este leque de ações, discussões e reflexões sobre o tema.

    ACESSA.com - Qual sua visão de ator, produtor e artista plástico sobre a ligação entre a política e a arte?
    Sérgio Mamberti - Pra começar, a política é uma dimensão da cultura. Todo artista tem um papel social muito importante e eu faço parte de uma geração extremamente politizada que, justamente, fez do seu trabalho uma forma de conscientização além das nossas conquistas do ponto de vista estético ou, especificamente, artístico, mas também através da nossa arte, fazer uma conscientização da sociedade, trazermos os problemas do povo brasileiro para o palco, para o cinema, para que povo possa se ver refletido ali.

    Acho que, hoje, a fronteira da diversidade cultural é a dimensão mais política, onde a cultura e a política se confundem, de uma forma definitiva. É justamente na defesa do direito à diferença que se estabelecem os princípios democráticos. Acredito que é por isso que a cultura hoje tem esse papel estratégico, inclusive no conceito de desenvolvimento que o governo Lula - através de seu compromisso com o social e com o homem, saindo daquele viés mais economicista - de certa maneira, está propondo à sociedade brasileira na construção desse projeto de nação ética, solidária... Por isso, eu poderia te dizer que, embora eu esteja mais afastado do palco, eu penso que estou bastante integrado nesse processo que é o ministério de artistas - Gilberto Gil, Antônio Grassi, Orlando Senna, diretores de cinema - somos trabalhadores da cultura que estamos construindo junto com o presidente Lula e a sociedade brasileira.

    ACESSA.com - ACESSA.com - O senhor falou que já conhecia Juiz de Fora. O senhor veio com alguma peça de teatro?
    Sérgio Mamberti - Através do Flávio Márcio, autor de teatro, dramaturgo. Na minha opinião, um dos maiores dramaturgos brasileiros, que morreu muito jovem, mas de um extraordinário talento que ainda precisa ser valorizado. Justamente, como ele morreu jovem, deixou uma obra relativamente grande até para sua idade. Ela é muito grande na qualidade. Foi criado aqui, uma sala pra ele e eu vim pra inauguração desse espaço e da sala do Flávio Márcio.

    Também vim aqui em campanha; talvez seja essa a minha primeira visita, em 1989, na campanha do Lula para presidente. Estive mais recentemente no teatro que foi reformado (Cine Theatro Central). Vim há cinco, seis anos, ainda como artista, como militante cultural. Eu também tenho outros amigos aqui: o deputado Paulo Delgado, Carlos Bracher... Em suma, tenho uma série de ligações com a cidade.

    ACESSA.com - ACESSA.com - O senhor disse que, por enquanto, está parado com a atuação...
    Sérgio Mamberti - Fiz uma coisa ou outra. Fiz uma participação em "Essa Mulheres" (novela na Rede Record). No ano passado, fiz o Deus do Saramago, em "O Evangelho segudo Jesus Cristo", em Lisboa, durante as minhas férias. Uma participação ou outra em cinema, mas são participações eventuais.

    ACESSA.com - Tem algum projeto?
    Sérgio Mamberti - Tenho vários projetos, mas eu estou deixando, realmente, pra depois que eu sair do governo.

    ACESSA.com - Os internautas do ACESSA.com acompanham todos os eventos da Rainbow Fest, Parada do Orgulho Gay, Miss Brasil Gay. Aproveite e deixe uma mensagem relacionada ao seu trabalho na Secretaria.
    Sérgio Mamberti - Em primeiro lugar, eu agradeço muito, porque justamente esse trabalho que se faz na internet é um trabalho que aprofunda a democracia e informa as pessoas também. Eu agradeço o fato de divulgarem essa luta, esse processo. E dizer que nós do Ministério estamos à disposição e contamos com eles, inclusive, para ampliarmos a nossa ação e conseguirmos o resultado que a sociedade espera, que é de construção realmente de um país solidário.

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