Cidade

Correndo riscos ao atravessar as ruas Vários pontos são considerados difíceis para se atravessar. Uma das medidas da Gettran será a fiscalização eletrônica, mas sem prazo para instalação

Priscila Magalhães
Repórter
04/10/2007

São dois pontos: Avenida Rio Branco esquina com Rua Fernando Lobo e Avenida Rio Branco esquina com a Rua Oscar Vidal. O primeiro ponto está próximo a dois semáforos e, mesmo assim, o pedestre precisa contar com a sorte para atravessar, pois quando o sinal da Rio Branco fecha, imediatamente o da Rua Santa Rita abre para os carros.

"As pessoas precisam ficar muito espertas para atravessar aqui. O tempo é muito pequeno e praticamente não dá tempo. O pedestre tem que correr para aproveitar o tempo entre os dois semáforos", diz Luiz Eduardo, trabalhador de um edifício próximo ao local.

No outro ponto, os pedestres também precisam se arriscar para atravessar a rua. O semáforo mais perto está na esquina da Avenida Independência. "Aqui tinha que ter um sinal. Os carros vêm desde a Independência em alta velocidade e entram aqui. Os motoristas têm que respeitar os pedestres e estes têm que prestar mais atenção ao atravessar a rua. Já vi cinco atropelamentos nesta esquina", diz Eliender Gomes de Oliveira, que trabalha próximo ao local há quatro anos.

Existem outros pontos, como estes dois, espalhados pela cidade inteira. "Essa situação do centro da cidade vem amadurecendo. O número de veículos e de pedestres está aumentando muito e a capacidade de escoamento da via continua a mesma", explica o superintendente da Agência de Gestão do Transporte e Trânsito (Gettran), Ronaldo Toledo.

Segundo ele, as faixas de pedestre são muito próximas, o que impede colocar mais semáforos nas vias. "O correto seria fechar estas interseções e canalizar os pedestres para onde a intervenção semafórica dá um tempo maior para a travessia. Porém, se esta concentração ocorrer em um só local, não vai dar tempo de todos os pedestres atravessarem", completa Ronaldo.

Oscar Vidal FernandoLobo

O superintendente diz que os semáforos são programados para fluir a movimentação dos pedestres e dos veículos igualmente. "Se formos aumentar o tempo para travessia de pedestres, vai haver maior retenção de veículos. É o que aconteceria na Rio Branco com Fernando Lobo. Aumentando o tempo para pedestres, o escoamento da Santa Rita ficaria comprometido. O que fazemos é distribuir as faixas, mantendo o nível de segurança e alternar o ciclo de tempo dos semáforos durante o dia, dependendo do movimento".

Medidas

Uma medida de engenharia seria a construção de passagens para pedestres em nível diferenciado dos veículos: subterrânea ou elevada. Porém, Ronaldo explica que o centro da cidade não comporta este tipo de medida. "Não temos espaço físico para fazer isso. Não há como construir uma passarela em um passeio de três metros. E se tivesse, a maioria das pessoas não ia utilizar, ia continuar se arriscando".

Foto:Gradis Foto:Faixa de pedestres

Campanhas educativas e a colocação de gradis no centro da cidade são algumas das medidas que a prefeitura vem tomando. "Estamos monitorando a situação e desenvolvendo estas medidas. Os gradis canalizam os pedestres obrigando-os a atravessarem na faixa. As campanhas educativas visam melhorar a convivência entre pedestres e motoristas. Os primeiros podem esperar pelo próximo ciclo do semáforo, não precisam atravessar correndo, e os motoristas podem esperar o pedestre acabar de atravessar antes de arrancar o carro", aconselha o superintendente.

Segundo Ronaldo, o trânsito de Juiz de Fora pode ser considerado bom. "O trânsito daqui ainda está em uma situação privilegiada, se comparado com outras cidades do mesmo porte. Precisamos aprender a conviver com esta situação e ter mais paciência, porque a tendência é piorar. Não acho que os pedestres são preguiçosos, é uma questão de comportamento. Temos que investir na educação da população", completa.

Juiz de Fora vai ganhar fiscalização eletrônica

Fot:Ronaldo Ronaldo Toledo informou ainda que a prefeitura vai abrir edital para a contratação de fiscalização eletrônica. Vão ser instalados equipamentos que registram avanço de sinal e parada sobre a faixa, além da fiscalização por lombadas eletrônicas que identificam a velocidade. Quem passar com velocidade superior à determinada, parar em cima da faixa e avançar o sinal vai ter o veículo fotografado e terá que pagar multa.

"Estes equipamentos aliados aos 20 radares eletrônicos já existentes na cidade vão contribuir ainda mais para controlar o trânsito. Este tipo de fiscalização é muito importante, pois se trata de um fiscal imparcial e apenas 5% das pessoas multadas contestam", explica.

Ronaldo diz que apesar de ser importante para a cidade ainda não existe um prazo para que os equipamentos estejam instalados. "Com os radares que já existem tivemos uma redução significativa no número de multas, mesmo com o aumento da frota. Em maio de 2003 quando foram instalados, tínhamos duas mil multas por mês e agora são cerca de 950. Com os veículos respeitando o limite de velocidade, o pedestre também ganha", completa.