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    Novo galpão de triagem da Ascajuf será entregue em junho no bairro Santa Tereza 

    Outras duas associações da cidade passam por período de incertezas e sucateamento de maquinário 

    Angeliza Lopes
    Repórter
    21/05/2016
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    Parte integrante do sistema de coleta seletiva, a Associação Municipal dos Catadores de Materiais Recicláveis e Reaproveitáveis de Juiz de Fora (Ascajuf), terá nova sede para o processamento e triagem dos resíduos sólidos recolhidos pela Coleta Seletiva de Juiz de Fora. O galpão construído com financiamento do Programa Geração de Trabalho e Renda, da Fundação Banco do Brasil, deve ser entregue no mês de junho, no bairro Santa Tereza, próximo ao clube Tupynambás. Mas, mesmo com o avanço, outros dois grupos de catadores, Associação dos Catadores de Papel e Resíduos Sólidos de Juiz de Fora (Apares) e Associação Lixo Certo (Alicer), passam por período de incertezas e sucateamento de maquinário.

    Atualmente, a Ascajuf é formada por 30 associados e dividida nos núcleos Centro, com galpão da rua do Monte, no bairro Vitorino Braga, e o da Zona Norte, na Usina de Reciclagem de Lixo, em Nova Benfica. Associada desde a formação do grupo, Vera Lúcia Assis, explica que os 10 catadores que trabalham no espaço do Centro vão migrar para o novo galpão de Santa Tereza. “Aqui não temos espaço para fazer a triagem. Como parte é descoberta, perdemos muita coisa quando chove”. Ela lembra que a associação foi criada há 11 anos, através da união de antigos cooperados da extinta Cooperativa Mão Verdes. Em 2008, foi dada permissão pela Prefeitura para que a associação usasse o terreno da Usina, mas apenas o maquinário de prensa funciona, atualmente.

    foto“Foram muitos anos de luta. Com a ajuda de apoiadores que não nos abandonaram, conseguimos o terreno que era da União e, finalmente, o investimento para a construção do Centro de Triagem do Centro. Hoje recebemos parte da coleta seletiva, que não possui qualidade, pois as pessoas ainda não sabem separar os recicláveis de forma correta, por isso precisamos complementar com a coleta nas ruas com os carrinhos”, afirma Vera.

    Ela destaca que a coleta sem o catador vira lixo e que a população ainda não entende a importância deste trabalho, que acaba sendo discriminado. “O catador perdeu a auto estima e dignidade. É muito difícil catar lixo e a maioria que está na rua é pela dor não pelo amor”, avalia. O rendimento médio de cada associado é de acordo com a produção, chegando a quase um salário mínimo mensal.

    Apares e Alicer

    Já as outras associações da cidade, que também auxiliam no destino correto dos resíduos sólidos, passam por momentos difíceis de sucateamento de maquinário e infraestrutura. A presidente da Apares, Flávia Helena Dias da Silva, diz que durante os 16 anos de existência, 48 pessoas já passaram pela associação. O galpão localizado na rua Doutor Lafaiete Loures, 91, Centro, recebe doações de materiais recicláveis e coletas feitas apenas em pontos já agendados com auxílio de uma kombi ou carrinhos. “Não coletamos avulso pelas ruas. No momento, como estamos com a prensa e a balança estragadas, precisamos vender solto o material. Somos credenciados para recolher lixo eletrônico, mas as doações destes itens têm caído”.

    Como na Ascajuf, os associados da Apares recebem de acordo com a produtividade e participação coletiva para manutenção do ambiente comum de trabalho. “Somos muito unidos e não temos brigas dentro da associação. Antes até recebíamos cesta básicas para fazermos o almoço dos catadores, mas agora cortaram a doação e muita das vezes temos que ficar sem almoçar. O trabalho começa às 8h30, mas na maioria das vezes não tem hora para acabar, por termos que atender a coleta das lojas fora do horário comercial”, destaca.

    A Alicer, localizada na Estrada da Remonta, 430, no bairro Joquei Clube, mantêm a coleta apenas em pontos da região Norte da cidade. Segundo o presidente, José Rubens, a associação era conhecida pelo nome Associação dos Recicláveis do Parque da Torres (ARPT) até 2013, quando mudou para Associação Lixo Certo. Ele conta que são 11 associados que recolhem e separam garrafas pet, papelão, sucatas e outros itens pouco comuns em reciclagem, como copos descartáveis e sacolas de mercado. “Algumas sucatas, como portas e janelas nós revendemos. Hoje, nosso ganho não chega a R$ 500 devido aos problemas que estamos enfrentando de condicionamento dos recicláveis. Com o problema da dengue, fomos multados e estamos evitando receber material até conseguirmos arrumar o galpão”, destaca.

    Outro problema apontado por Rubens é a falta de luz dentro do espaço de separação dos resíduos, sendo impossível o funcionamento da prensa dentro do galpão. “Precisamos de melhores investimentos do poder público, pois este é um bem que afeta a todos. Temos uma usina que está parada e poderia ser usada para este fim”.

    Realidade

    Há quase dois anos do término do prazo para a criação do Plano de Gerenciamento Integrado de Resíduos Sólidos pelos municípios, conforme determinado pela Lei 12.305/2010, Juiz de Fora ainda possui cobertura da coleta seletiva em apenas 50% das vias públicas, segundo dados do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (Demlurb).

    fotoDe acordo com entrevista cedida pelos engenheiros do Demlurb à ACESSA.com, 460 toneladas de lixo são produzidos pela cidade por dia, sendo que deste total, 50% é resíduo orgânico (comida) e os outros 50% são recicláveis, e dos recicláveis somente 10% das pessoas que são atendidas pelo sistema de coleta seletiva deixam seus resíduos separados.

    "O material reciclado que se consegue separar em Juiz de Fora não atinge nem 2% do potencial existente na cidade. Em comparação com outras cidades de médio/grande porte, está bem atrasada. Estamos em torno de 30 a 50 anos atrasados em relação a isso. Já apresentamos várias propostas para o município, não só para essa gestão, tentando fazer com que a administração entenda sobre gestão integrada do lixo”, afirma o especialista em soluções ambientais, José Mário de Oliveira.

    Programas de assistência

    Segundo a assessoria de comunicação da Secretaria de Desenvolvimento Social (SDS), os trabalhos oferecidos aos catadores de material recicláveis, em sua maioria em situação de vulnerabilidade social, são de acompanhamento, orientação e encaminhamentos dentro da rede da assistência, com cadastro no Bolsa Família, repasse de cestas básicas mensais e alimentação no Restaurante Popular.

    A secretaria complementa que a assistência daqueles em situação de rua são pelo programa Centro de Referência Especializado Para População em Situação de Rua (Centro Pop), na Rua Oswaldo Veloso, 190, no Centro. Para os que possuem endereço fixo, o auxílio é concedido por meio do Centro de Referência de Assistência Social (Cras). De acordo com os dados do CadÚnico, 37 catadores estão cadastrados para receberem benefícios de programas sociais.

    Reforma da Usina

    Conforme informações da assessoria de comunicação do Demlurb, a relação do departamento com a Ascajuf foi firmado em 2008, pelo Convênio de Cooperação Mútua. No acordo foi acordado que os recicláveis coletados na cidade seriam destinados para associação para exploração econômica livre dos associados; e promover a retirada dos rejeitos da catação (materiais sem potencial reciclável), o que é feito regularmente.

    O Demlurb completa que considerando as necessidades de melhoria física do espaço conveniado a ASCAJUF e a preocupação com a ampliação desse serviço, o departamento iniciará as reformas estruturais na Usina de Reciclagem ainda neste ano. No projeto desenvolvido pelos engenheiros do departamento, baseado nas mais modernas usinas de reciclagem em atuação, o local contará com novos banheiros, refeitório, sede administrativa e um espaço próprio para a seleção dos materiais a serem reciclados.

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