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    Especialista critica gestão do lixo na Zona da Mata

    Diretor da Biokratos afirma que várias prefeituras da região cortaram verbas destinadas ao meio ambiente

    7/05/2016

    Gerir o lixo produzido por uma cidade é uma das responsabilidades do Poder Executivo. No entanto, devido a crise econômica vivida no país, o setor responsável pelo trato com o meio ambiente não se sente feliz com as atitudes tomadas pelos municípios da região.

    De acordo com o diretor da Biokratos Soluções Ambientais, José Mário de Oliveira, as cidades atendidas pela empresa foram reduzidas a praticamente uma. "É lamentável. A gestão de resíduos sólidos na nossa região sofreu um retrocesso grande. A gente tinha várias unidades de triagem e compostagem sendo operadas e conjugadas com o Aterro Sanitário e o Aterro Controlado. Hoje, a maioria delas foram desativadas, por questão econômica e por facilidades operacionais. Para as prefeituras, é muito mais simples contratar um caminhão e mandar trazer para Juiz de Fora, do que colocar uma unidade de triagem e compostagem, com funcionários que fazem a coleta seletiva. As prefeituras têm uma facilidade para fazer campanhas ambientais, mas não fazem educação ambiental. Esquecem da gestão integrada, da importância da coleta seletiva, que traz um ganho muito grande social, econômico e ambiental. A única prefeitura que nós continuamos atuando é a de Simão Pereira", afirma.

    O profissional explica que, em Juiz de Fora, o trabalho elaborado é feito de forma "parcialmente" integrada. "O material reciclado que se consegue separar em Juiz de Fora não atinge nem 2% do potencial existente na cidade. Em comparação com outras cidades de médio/grande porte, está bem atrasada. Estamos em torno de 30 a 50 anos atrasados em relação a isso. Já apresentamos várias propostas para o município, não só para essa gestão, tentando fazer com que a administração entenda sobre gestão integrada do lixo. Esse é um mal universal, com o fracionamento das atividades. A degradação ambiental vem no momento em que a educação deixa de priorizar as atividades humanas em relação às ciências exatas, fortalecendo o consumismo e o capitalismo", diz.

    José Mário explica o porque o processo de reciclagem é importante de ser feito. "Você deixa de buscar recursos esgotáveis na natureza e reutiliza o que já foi tirado. É postergado para as gerações futuras a utilização desses materiais. O livro Os bilhões perdidos no lixo, Sabetai Calderoni, foca exatamente nisso. Gera-se renda para os catadores, para quem trabalha na separação do lixo, para quem transporta o lixo, para quem trabalha nas empresas recicladoras. Só a economia de energia ao reciclar alumínio dá 95%. No papelão, é economizado em torno de 45% de água".

    Para ele, o processo da educação crítica gera conscientização. "Tanto ensinando geografia, física, ou matemática, pode-se trabalhar essa questão da reciclagem. O ponto chave é a mudança de atitude, para as pessoas começarem a entender a importância de reduzir, reutilizar e reciclar. Nós acreditamos que só vamos salvar a humanidade se a humanidade se comportar de forma diferente. Se continuar deste jeito, a raça humana vai se autodestruir, e a natureza vai demorar anos para se reciclar", opina.

    Avanços

    Apesar das críticas, o diretor da empresa concorda que houve muito avanço em termos ambientais nos 20 anos de estrada da empresa. "Em 2010, a legislação foi apreciada, votada e aprovada. Mas, como outras legislações no Brasil, não está sendo cumprida. A gente teve a ECO-92 no Rio de Janeiro e muita coisa evoluiu, com os países desenvolvidos cedendo tecnologia para os que estavam em desenvolvimento. Mas foi só em 2014, no século XXI, que foi feito o primeiro protocolo de ações para o meio ambiente, o Protocolo de Paris. Depois de 22 anos! Ele não vai ser cumprido como deveria, mas é uma expectativa. Houve avanços na gestão ambiental, no gerenciamento do lixo, mas chegamos em um afunilamento, deixando para trás os protocolos de intenção. Ainda existem outros fatores que precisam avançar rapidamente, como o processo educacional integrador e crítico, para obtermos resultados mais rápidos", explica.

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