O acesso ao ensino de qualidade é um privilégio garantido por lei à todo cidadão brasileiro. Reforçando isto, a portaria número 3284 do Ministério da Cultura, de Novembro de 2003, assegura o direito à educação em todos os níveis aos portadores de deficiência.
Em Juiz de Fora, é possível observar o esforço de pessoas com deficiência visual para usufruir do que é garantido por lei: o acesso ao ensino superior. Atualmente, 11 assistidos pela Associação de Cegos, da cidade, estão cursando faculdade. Os cursos escolhidos são variados como Comunicação Social, Pedagogia e Psicologia.
Segundo a Gerente de
Marketing da Associação, Gisele Alves, essa nova realidade só foi
possível graças ao apoio de uma equipe pedagógica formada por cerca de 40
pessoas, entre professores e estudantes universitários voluntários, que fazem
parte do projeto "Aprender para ser"
, comandado pela pedagoga Edi Caiafa, que
estimula o interesse dos deficientes pelo estudo, através de leitura de textos
e outras atividades.
"O projeto ajudou ao portador de deficiência visual a ter uma inclusão social verdadeira
através da inserção no mercado de trabalho com qualidade e dignidade"
,
comemora Gisele.
Segundo a gerente, outro fator que possibilitou o aumento do
número de estudantes cegos nas instituições de ensino superior de Juiz de Fora foi a quantidade de
faculdades em JF. "O maior número instituições permitiu o crescimento
do projeto. Agora existem mais vagas em disputa, logo aumenta as chances de nossos assistidos"
,
relata.
Ela também ressalta que os estudantes recebem bolsas de estudo que, quando não são integrais, contam com o auxílio de outros projetos da instituição que complementam os custos, de forma a isentar o estudante de gastos.
Um exemplo dessa nova perspectiva para os deficientes da
cidade é José Luiz Souza Silva, recém formado em História. José conta que a
graduação abre uma nova perspectiva em seu futuro profissional e até mesmo
educacional.
"O estudo não termina nunca, planejo agora me preparar para um concurso e fazer
fazer minha pós-graduação"
, relata o historiador.
Mesmo com todo esforço, a vida educacional de pessoas com deficiência visual é
repleta de obstáculos. O maior desafio está na obtenção do material didático
necessário para o aprendizado. Todo conteúdo utilizado em aula tem que ser convertido
para o sistema braile, para isso é necessário obter uma cópia digital dos
livros, apostilas, entre outros, ou então que este material seja digitado em um computador para
que uma impressora especial faça a conversão. "Meu problema maior realmente foi com o material de ensino,
o ideal seria receber as fotocópias em dísquetes ou cd's, facilitando a conversão para braile"
.
Outro obstáculo na formação superior do deficiente visual está no despreparo
das instituições para atender suas necessidades especiais.
"Quando eu entrei no ano passado, eu era a única deficiente visual em minha faculdade.
Pude perceber algumas dificuldades dos professores, que com o tempo foram superadas"
,
conta Sueli Varela, estudante do segundo período de psicologia.
Outro importante fator neste processo de inclusão social é o apoio dos
companheiros de turma. "A gente utiliza vários recursos na nossa adaptação,
como gravador, o reglet (intrumento utilizado para anotações em braile),
mas, o apoio dos companheiros é fundamental para nossa relação com os professores
e com o faculdade como um todo"
, ressalta a estudante,
que sonha em trabalhar com a educação de jovens e adultos.