Esporte

Columbofilia A arte de treinar pombos-correio para competições tem adeptos em
Juiz de Fora. Conheça um pouco sobre este esporte

Renata Cristina
Repórter
23/02/2007

O esporte não é muito difundido no Brasil, mas é o primeiro da Bélgica e praticado com entusiasmo na Holanda, Alemanha, Espanha e Inglaterra. Há registros de que a Columbofilia, a arte de treinar pombos-correio para competições, tem, atualmente, 60 países cadastrados oficialmente em todo o mundo.

Pelo que se conhece da história, a capacidade dos pombos-correio de percorrer longas distâncias e chegar as suas "casas" foi identificada há três mil anos antes de Cristo. Naquela época, estes animais eram utilizados como mensageiros e faziam até o serviço postal de algumas regiões.

Depois de serem utilizados na história antiga e idade média, essas aves ganharam o papel de "espiãs" durante as duas grandes guerras mundiais. Treinadas pelo exército, percorriam distâncias enormes e entregavam mensagens nos campos de batalha.

A prática como esporte nasceu em uma competição oficial na Bégica, em 1820, e até hoje aficciona os apaixonados pela columbofilia. Em Juiz de Fora, são cerca de 30 inscritos no Clube Columbófilo Asa de Ouro e quase duas mil aves em treinamento.

Treinos intensos
Os pombos-correio são animais extremamente inteligentes e treinados para percorrer longas distâncias. Ao contrário do que se vê em histórias fictícias, estas aves são capazes de chegar apenas nos locais em que residem, mas não podem sair entregando cartas em diversos pontos.

Os treinamentos consistem em duas horas de vôos diários, uma na parte da manhã e outra à tarde, próximos de seus pombais. Quando completam um mês de vida, os pombos já são separados dos pais para iniciarem as aulas que podem transformá-los em campeões. A primeira lição consiste em sobrevoar a aérea em que se vive e retornar ao pombal.

Logo após, são feitos os treinos de distâncias e os pombos são levados a locais distintos, percorrendo, inicialmente, 50 quilômetros, podendo chegar na idade adulta a marca de 1.500 quilômetros. O columbófilo Helvécio Miranda (foto), membro do Clube Columbófilo Asa de Ouro, solta seus 200 pombos às cidades de Goianá, Rio Pomba, Ubá, Visconde do Rio Branco e até que cheguem em seu pombal, no bairro Santa Terezinha, em Juiz de Fora.

Os trajetos vão aumentando gradativamente e algumas das aves de Helvécio já percorreram 1.400 quilômetros, vindas de uma competição em Petrolina, no Pernambuco. "O treino exige dedicação do proprietário dos animais e é bastante compensador. Hoje, já identifico todas as minhas pombas", declara Miranda. (veja as fotos abaixo)

Além dos treinos, outros fatores são essenciais para o bom condicionamento físico do animal. A alimentação balanceada, à base de sementes, como girassol, alpiste e milho é fundamental. Além disso, a água deve estar sempre fresca e o local de acondicionamento dos animais precisa ser limpo. "Os pombos não transmitem doenças se bem cuidados", explica o médico veterinário e columbófilo, Gerardo Rodrigues Valle Júnior.

O especialista em farmacologia avícola orienta que os suplementos alimentares, a vermifugação e banhos também são necessários para a saúde das aves.

Campeonatos
Os campeonatos brasileiros ainda são poucos, se comparados a outros locais no mundo. A premiação também não chega a altos valores, como acontece na Bégica, em que as cifras são milionárias.

Os pombos concorrem nas categorias velocidade, até 500 quilômetros, meio fundo, com cerca de 500 a 600 quilômetros em linha reta. Há também a modalidade fundo, em que a distância varia de 600 a 900 quilômetros e, ainda, a grande fundo, na qual as provas ultrapassam os 900 quilômetros.

Mesmo com inúmeras dificuldades, já que a maioria dos aparatos é importado da Europa, os competidores no Brasil persistem no esporte. Tanta dedicação rendeu ao clube juizforano diversos prêmios. "Passo noites em claro, aguardando a chegada dos pombos em época de campeonato", revela Miranda.

Para 2007, a primeira competição prevista para Juiz de Fora será de velocidade, na vizinha Visconde do Rio Branco, em que os pombos devem percorrer aproximadamente 100 quilômetros. Os juizforanos participam, ainda, do Campeonato Nacional em Governador Valadares, em diferentes categorias.

Como fazer parte
Para os interessados em conhecer ou praticar o esporte, o telefone de Clube Columbófilo Asa de Ouro: (32) 3224-6020 ou 3082-0572.

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