A temperatura média em Juiz de Fora está 3º C acima do esperado para o mês de janeiro. Segundo o serviço de meteorologia da Cemig, a tendência é o quadro permanecer em fevereiro e março, devido à atuação do fenômeno El Niño. Este calor intenso, que marca a estação, tem atrapalhado o sono de muita gente. Os reflexos da noite mal dormida são sentidos no dia a dia, quando bate a dor de cabeça, o estresse, a irritação e o cansaço.
De acordo com a neurologista e especialista em medicina do sono, Celeste Negrão, com as temperaturas altas, a pessoa bebe mais água durante a noite, vai mais ao banheiro e se movimenta mais na cama, fragmentando o sono.
Celeste explica que as curtas e interrompidas jornadas de sono podem até causar, a longo prazo, distúrbios mais graves, como depressão, apneia e derrame. "Existem estudos que associam a falta de sono à depressão e a depressão à falta de sono. Também pode provocar apneia (problemas respiratórios), ronco, hipertensão e risco de derrame. A produção de hormônios também fica comprometida, podendo ocasionar obesidade e diabetes."
Para evitar o problema, a médica diz que o ideal é tomar um banho morno antes de dormir, ter uma alimentação leve e arejar o ambiente. "A preocupação, o estresse, a alimentação pesada, como refrigerantes e cafés, e o uso de cigarro favorecem uma noite mal dormida."
Para aqueles que acordam durante a noite, a dica para retomar o sono é manter o local escuro, pois o organismo reconhece a luz como sendo o dia, o que dificulta a continuação do sono. "O uso de remédios para se ter uma noite satisfatória deve ser recomendado por um médico", alerta.
Em relação ao que muito se comenta sobre a necessidade de oito horas diárias de sono para um dia satisfatório, Celeste confirma a tese. "A população deve ter oito horas de descanso à noite. O ser humano é geneticamente programado pelo ciclo do sol e escuridão, mas com o advento da luz elétrica, televisão e computadores, por exemplo, este período se torna mais curto e tende a diminuir. Estas horas não dormidas são cobradas no futuro, refletindo em mau humor, cansaço e irritação."
*Pablo Cordeiro é estudante do 9º período de Comunicação Social da UFJF
Os textos são revisados por Madalena Fernanades