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    A voz no teatro - parte II

    A voz está para o teatro
    assim como as cores estão para a pintura

    21/03/2002

    O trabalho em fonoaudiologia para atores de teatro é, fundalmentamente, o equilíbrio entre voz e emoção. É buscar o controle da voz sem perder a espontaneidade, tentando expandir a sua voz por todo o espaço cênico onde está atuando.

    O movimento corporal é outro fator de importância para o trabalho cênico. Todo o corpo deve estar em sintonia constante com a palavra que sai da voz e da emoção. Essa harmonia é que vai facilitar o ator a criar entidades, personagens durante a sua atuação no palco.

    Entretanto, nem sempre o ator busca o trabalho vocal para melhorar a sua performance artística. Problemas vocais começam a aparecer nessa situação. A redução dos abusos vocais é possível quando seguida de boa orientação. Ensina-se o ator a compensar comportamentos inadequados com hábitos que favoreçam a saúde vocal, tais como: hidratação, aquecimento da voz e relaxamento do aparelho fonador, após as apresentações.

    O treinamento básico é constituído de:

    • liberação das tensões desnecessárias ao corpo: relaxamento de pescoço e ombros, associados à respiração profunda, porém suave. Identificar pontos de tensão. Contato visual
    • suporte respiratório: estimular a respiração nasal, respiração livre e suavizar o fluxo aéreo
    • dicção precisa: leitura de trava-língua
    • ressonância: exercícios de relaxamento de mandíbula, língua e bochechas

    O fonoaudiólogo participa da construção vocal do personagem dentro das etapas de montagem do espetáculo. Irá atuar nos ensaios, junto ao elenco, diretor e o texto. Além disso, tentará fazer com que o ator "fale" com a voz e com o corpo. O fonoaudiólogo que trabalha com atores não precisa ser ator. É preciso se interessar pelo teatro, estar atualizado, entender o texto, mas não precisa saber representar.

    Outros aspectos que deverão ser aprimorados por meio do trabalho fonoaudiológico são:

    • ritmo, dicção e musicalidade da fala: ajustar os pontos de articulação (pedir ao ator que sinta o seu corpo, se escute e se perceba para detectar possíveis inadequações). Cantar.
    • projeção vocal: imaginar uma pessoa no início, no meio e no fim da platéia e emitir a voz para que cada uma delas ouça, respectivamente.
    • expressões faciais: tentar demonstrar diversas emoções / sensações em frente a um espelho.
    • sotaques: suavizá-los ou incrementá-los de acordo com o personagem.

    Enfim, o bom desempenho da voz e do corpo desenvolverá no ator auto-conhecimento, permitindo a ele segurança para melhorar sua performance artística.

    Colaboração da fonoaudióloga, Lúcia Maricato dos S. Sanábio.

    Leia também:
    A voz no teatro - parte I


    Cal Coimbra
    é psicóloga e fonoaudióloga especialista em voz
    Saiba mais clicando aqui.

    Sobre quais temas (da área de Fonoaudiologia) você quer ler nesta seção? A fonoaudióloga Cal Coimbra aguarda suas sugestões no e-mail calcoimbra@jfservice.com.br

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