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    Tricotilomania está ligada à falta de controle dos impulsosDoença em que o paciente tem o hábito de arrancar os próprios cabelos pode ser sintoma de estresse, TOC e depressão, ou surgir solitária, ligada à ansiedade

    Clecius Campos
    Subeditor
    Foto de pessoa arrancando cabelo

    Tricotilomania. O nome é difícil, mas é o termo referente à doença em que o paciente tem o hábito de arrancar os próprios cabelos. A mania está presente na Classificação Internacional de Doenças (CID) na categoria dos transtornos dos hábitos e dos impulsos. Em tal classe, estão contidos também distúrbios como o jogo patológico, a piromania e a cleptomania.

    A doença é caracterizada por uma impossibilidade repetida de resistir ao impulso de se arrancar os pelos, podendo ser cabelos, sobrancelhas ou cílios, por exemplo. De acordo com o psiquiatra José Laerte, não existe uma causa definida para o aparecimento do transtorno, mas a falta de controle do impulso está ligada a momentos de tensão, situações desagradáveis e extrema ansiedade.

    "Quando surge de forma solitária, a tricotilomania é quase sempre ligada à ansiedade. Mas pode acontecer de estar associada a outras doenças, sendo considerada um sintoma de estresse, transtorno obsessivo compulsivo [TOC] e até depressão." Do ponto de vista das doenças mentais, Laerte informa que o transtorno não possui uma evolução tal a ponto de ser considerado preocupante. O grande problema é que, se a mania for bem repetitiva, ela pode chegar a causar perda excessiva de cabelo, o que causa um incômodo social.

    "Socialmente, a tricotilomania pode impor algumas limitações. Principalmente porque ela é mais comum na idade pré-escolar e na adolescência. É normal que a criança sinta vergonha, já que ela está sem cabelo." Há certa dificuldade em se obter dados epidemiológicos sobre a doença, a fim de identificar sua incidência. Porém, em um estudo liderado pelo pesquisador norte-americano Gary Christenson, dos 2.579 estudantes universitários avaliados, 0,6% preenchiam os critérios necessários para o diagnóstico da tricotilomania.

    A doença pode, ainda, estar associada à tricofagia, que é a mania de comer parte do cabelo arrancado. O hábito pode causar problemas estomacais, uma vez que os pelos não são digeridos pelo organismo.

    Tratamentos

    Segundo Laerte, os tratamentos da doença passam pela necessidade de se resistir ao impulso. Uma alternativa é recorrer à psicoterapia, no ramo cognitivo-comportamental. "É uma forma de abordagem em que vão ser trabalhados o pensamento e o comportamento. A ideia é estimular que o paciente evite, por exemplo, mãos livres ou que foque sua atenção, memória e raciocínio em situações que não favoreçam o impulso."

    De acordo com o especialista, crianças respondem melhor ao tratamento psicoterápico. "A tricotilomania em crianças pode ser transitória ou decorrente de um momento fácil de ser contornado, por isso a resposta é mais positiva." O dermatologista Alexandre Serdeira confirma a informação. "Às vezes, só uma conversa com o pediatra ou com o dermatologista já ajuda. O adulto é mais difícil de convencer. A criança admite que arranca os cabelos, já o adolescente tem o costume de omitir."

    O uso de medicamentos também pode ser indicado, em alguns casos. "Se a tricotilomania estiver associada à outra doença, é feito o tratamento específico para o estresse, o TOC ou a depressão. Caso venha solitária, podem ser usados ansiolíticos ou antidepressivos, que têm bom controle da ansiedade."

    Sem risco de calvície

    Segundo Serdeira, os danos aos cabelos do tricotilomaníaco podem ser sanados a partir do momento em que o paciente para com a mania. "O hábito não causa calvície. A calvície é outro tipo de alopécia, ligada a questões genéticas. Caso a pessoa tenha tendência à calvície e tenha também a tricotilomania, claro que haverá um adiantamento da perda de cabelo." O paciente tem as opções de deixar que o cabelo cresça naturalmente ou de utilizar medicamentos que acelerem o processo.

    Orientação para os pais

    Os pais precisam ficar atentos ao surgimento da mania. Segundo Laerte, o impulso pode ser passageiro e não causar muitos problemas. "Percebendo que a mania não passa, os pais devem encaminhar o filho para a psicanálise. Em um primeiro momento, é importante que, no núcleo familiar, sejam evitadas cobranças, críticas e gozações."

    Os textos são revisados por Thaísa Hosken

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