Cidade

Defensores Públicos em greve Em JF, classe reclama da sobrecarga de trabalho em razão do número de profissionais e do valor do teto salarial

Fernanda Leonel
Repórter
12/02/2007

A partir dessa segunda-feira, dia 12 de fevereiro, os defensores públicos de todo o estado cruzam os braços como forma de protesto. A greve por tempo indeterminado foi decidida na última sexta, depois de uma assembléia da classe que aconteceu em Belo Horizonte.

A paralisação acontece entre os aproximadamente 450 profissionais da área em todo o estado. A categoria reivindica aumento do subsídio dos funcionários e ainda reclamam da estrutura precária de trabalho e do grande volume de processos que cada defensor acompanha.

Em Juiz de Fora a situação não é diferente. Na Defensoria Pública local, as portas estão abertas para o esclarecimento do público dos motivos da greve, mas o atendimento está interrompido.

De acordo com Lúcio Heleno Moreira, um dos 25 defensores públicos de Juiz de Fora, a paralisação era mais que necessária, já que a questão salarial da classe não é uma questão nova.

"Em 2004 fizemos uma greve e o Aécio Neves nos fez uma promessa que até agora não foi cumprida. Só saímos da greve porque ele prometeu equiparar o salário do defensor público com o promotor. A realidade é que até agora não aconteceu nada e que temos um ganho mensal de aproximadamente 1/5 do que é repassado para um promotor. Fica uma situação injusta", desabafou Lúcio.

Segundo o defensor, a situação salarial acaba sendo o estopim para as demais. Com o salário mais baixo, a carreira na defensoria fica pouco procurada, o que gera acúmulo de serviços e grande volume de processos acompanhados por cada um.

Em Juiz de Fora, de acordo com informações do defensor Lúcio Heleno, a sobrecarga de trabalho alcança números representativos no estado, já que a cidade tem, em média, um defensor para cada três varas cíveis - quando o natural seria a lógica um para um. "Tem defensor da vara da família, por exemplo, que faz de oito a nove audiências por dia. Chegam em casa depois das 20h. Isso compromete também a qualidade do trabalho executado", afirma.

Os grevistas dizem que, no início de janeiro, foi enviado para o governo um anteprojeto de lei com uma proposta de aumento gradual do subsídio. Até esta segunda-feira não foi dada nenhuma resposta sobre o documento.

A assessoria de imprensa do Governador Aécio Neves foi procurada para falar sobre o assunto. que informou que a responsabilidade de respostas da situação da greve da defensoria estava a cargo da assessoria da Secretaria de Defesa Social. Até o fechamento dessa edição, a equipe de jornalismo da ACESSA.com não obteve retorno no pedido de esclarecimento.


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