Cidade

Polícia Federal divulga balanço da Operação Metralha PF desarticula quadrilha especializada em tráfico de drogas e cumpre 14 mandados de prisão em JF, Bicas e Muriaé



Daniele Gruppi
Repórter
05/11/2008

A Polícia Federal (PF) e a Polícia Militar (PM) deflagraram nesta quarta-feira, dia 05 de novembro, a Operação Metralha, que visa desarticular uma quadrilha especializada em tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Os policiais cumpriram 27 mandatos de busca e apreensão e 15 de prisão, sendo que aconteceram quatro autuações de prisão em flagrante em Juiz de Fora.

Três homens, da mesma família, acusados de serem os mandantes da quadrilha foram presos em suas residências. Conhecidos como irmãos metralha, o Naninho, o Gê e o Zóio, agiam, principalmente, no São Benedito. No bairro, foi descoberto um laboratório de transformação de drogas, onde se encontrava uma metralhadora pronta para o disparo.

As prisões foram efetuadas no Aeroporto, Linhares, Alto dos Passos, São Mateus, Centro, Nova Era, Cesário Alvim, Milho Branco e São Dimas (ver mapas). Em Bicas, um empresário foi preso. Segundo o delegado da Polícia Federal, Cláudio Nogueira ele é dono de uma concessionária e negociava freqüentemente com os irmãos. Em Muriaé, a polícia vasculhou a casa da mãe de Juninho Pitbull, traficante que esteve ligado aos irmãos antes de começar a agir indepentente. Os presos foram encaminhados para o Ceresp e a mulher de Zói e a de Juninho Pitbull foram para a Penitenciária Ariosvaldo Campos.

Apreensões

Foram apreendidos seis veículos, cinco motocicletas, R$ 80 mil, 1,5 quilo de cocaína e craque e 20 gramas de maconha. Nogueira justificou a pequena quantidade de drogas dizendo que dificilmente os líderes ficam com drogas em casa. O delegado afirmou ainda que os irmãos negociaram essa semana mais de R$ 100 mil em veículos.

Os policiais encontraram também um CD com uma faixa fazendo referência aos irmãos. Um dos trechos da música diz: "Se tentar contra o Naninho (barulho de tiro), se tentar contra o Gê (barulho de tiro), se tentar contra o Zóio (barulho de tiro) (...) Tão f... a firma é rica (...) Nosso bonde é humilde, ninguém tá passando fome, Naninho, Gê e Zóio, o bonde do come couro (...) Se tentar contra o chefe, a mulher fica viúva (...)"

Investigação

Foto de Cláudio Nogeiura e coronel Gilmar Participaram da Operação 240 policiais, sendo que 85 vieram de Belo Horizonte e de cidades do interior de Minas Gerais. O delegado afirma que a quadrilha é investigada há mais de um ano e é considerada uma das que possui maior poder de tráfico em Juiz de Fora. É formada também por empresários que facilitavam a lavagem de dinheiro, realizada através da aquisição de imóveis e de veículos.

Em nota à imprensa, a Polícia Federal relatou que trata-se de uma quadrilha bem organizada e articulada, que usa modalidades típicas das máfias italianas, chegando a matar pessoas que tentam quebrar o ciclo da organização e fazendo apelos à intimidação e à violência. Outra característica do grupo, que dificultava a ação dos policiais, era o fato de mudarem com freqüência de residência e também de telefone.

Os integrantes podem responder pelos crimes de tráfico ilícito de entorpecentes e lavagem de dinheiro, com penas que variam de cinco a 15 anos de reclusão e multa, para o primeiro crime e de três a dez anos para o segundo.

Nogueira avaliou positivamente a Operação. "A situação do tráfico na cidade estava perdendo o controle. Acredito que a ação vai intimidar os outros traficantes." Para o coronel da Polícia Militar, Gilmar Simões de Lima (na primeira foto acima, à direita), a participação da comunidade é fundamental para a realização de Operações dessa natureza. "As denúncias facilitam as investigações."