Pneus inutilizados Em um mês, Juiz de Fora já recolheu mais de 12 mil pneumáticos para reciclagem. Conheça os impactos ambientais negativos do descarte incorreto
Repórter
04/06/2007
Em arquivo:
Juiz de Fora comemora o Dia Internacional do Meio Ambiente, nesta terça-feira, dia 05, em conjunto com o aniversário de um mês de um projeto que pretende reduzir impactos ambientais. Na primeira semana de junho, o Ecoponto, local específico para coleta de pneus da Usina de Reciclagem de Lixo do Demlurb, completa um mês de atuação na cidade.
O recolhimento é uma parceria do poder público municipal com a Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP) e já recebeu mais de 12 mil pneus inutilizados para reciclagem.
"É muito importante que a população se conscientize da necessidade de
descartar esses objetos de forma correta. É pertinente a discussão no Dia
Internacional do Meio Ambiente. Apesar do pneu não ser algo tão agressivo como
um resído quimíco,
por exemplo, que reage com outra substância, os prejuízos da sua utilização incorreta
são inúmeros"
, destacou a coordenadora de projetos do Demlurb
e engenheira ambiental, Gisele Pereira Teixeira (no vídeo).
Segundo a engenheira, pneus deixados em rios e córregos diminuem a calha desses locais, o que aumenta a chance de transbordamentos. Além do mais, os formatos dos pneumáticos são potencializadores do aparecimento de doenças, com destaque especial para o mosquito da dengue, que se multiplica na água parada que sempre se acumula nesses objetos.
"A própria fabricação dos pneus já é algo de grande impacto.
A fabricação depende de petróleo, que é uma fonte esgotável"
, completa
Gisele. Para a engenheira, uma das grandes dificuldades de projetos que tentam
acabar com a poluição vinda dos pneumáticos é o fato de ele não possuir muito
valor comercial depois de inutilizado, uma vez que sua reciclagem é cara e só acontece
por meio de processo industrial.
Para se ter uma idéia, para recuperação e regeneração é necessária a separação da borracha vulcanizada de outros componentes (como metais e tecidos, por exemplo). Depois, os pneus são cortados em lascas e purificados por um sistema de peneiras. As lascas são moídas e depois submetidas à digestão em vapor d’água e produtos químicos, como álcalis e óleos minerais, para desvulcanizá-las. O produto obtido pode ser então refinado em moinhos até a obtenção de uma manta uniforme ou extrudado para obtenção de grânulos de borracha.
"É muito difícil reciclar pneus. Coisa que não
acontece com garrafas pet ou latinhas, por exemplo. As pessoas sempre
querem ter latinha em casa. Primeiro, porque tem boa
saída no mercado, é fácil de vender. E segundo porque não ocupa tanto espaço
como acontece com os pneus. Esse também é um dos motivos que faz com que
quem não tem consciência ambiental descarte o objeto em qualquer lugar"
.
Legislação
O Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) instituiu em 1999 uma resolução que
proíbe o descarte de pneus em rios, aterros sanitários, lagos, terrenos baldios, assim
como a queima desses objetos em céu aberto.
O Brasil também impede a importação de pneus reformados para reduzir os volumes de resíduos. Isso porque, o esse tipo de pneumático tem um ciclo de vida útil menor. O de um carro de passeio, por exemplo, só pode ser reutilizado uma vez. A defesa da legislação é que, caso o pneu reformado na Europa, por exemplo, seja exportado para o Brasil, ele, depois de usado, se transformará em lixo, sem possibilidade de reforma.
"A resolução do Conama tem peso de lei. E ainda assim a gente vê a dificuldade de se fazer
ela cumprir. As pessoas precisam se conscientizar para evitar problemas ainda maiores
do que os que a gente tem com o meio ambiente"
, analisa Gisele.
O que pode ser feito para o meio ambiente?
- Antes de entregar seus pneus inutilizados ao Ecoponto, os mantenha em lugar abrigado e cubra-os para evitar que a água entre e se acumule. Pequenas ações como essa ainda podem evitar doenças.
- Siga a lei e não jogue pneus em qualquer lugar. Pense que há entidades interessadas na reciclagem. Os benefícios? Para cada meio quilo de borracha feita de materiais reciclados, são economizados cerca de 75% a 80% da energia necessária para produzir a mesma quantidade de borracha virgem (nova); se economiza petróleo (uma das fontes de matéria-prima) e se reduz o custo final da borracha em mais de 50%.
- Não ponha fogo em pneus. Queimados, podem causar incêndios, pois cada um é capaz de ficar em combustão por mais de um mês, liberando mais de dez litros de óleo no solo, contaminando a água do subsolo e aumentando a poluição do ar. Essa prática também é proibida pela legislação ambiental
- Reduzir o consumo dos pneus, mantendo-os adequadamente cheios e alinhados, também é uma boa idéia. Faça rodízio e balanceamento a cada dez mil quilômetros e procure usar pneus com tiras de aço, que têm uma durabilidade 90% maior do que o normal.
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