Mulher

Com 114 anos, moradora de Carangola é candidata ao título de mulher mais idosa do mundo Certidão de nascimento e uma foto da idosa foram encaminhadas para análise de um grupo de pesquisadores, que deverão traçar a árvore genealógica da família

Aline Furtado
Repórter
12/4/2011
Vó Quita

A data da certidão de nascimento é de 9 de julho de 1896. São 114 anos de vida e muitas histórias para contar. A carangolense Maria Gomes Valentim, carinhosamente chamada de vó Quita, pode entrar para o Guinness Book como a mulher mais idosa do mundo.

Segundo a bisneta de vó Quita, a enfermeira Taís Nolasco, a família foi procurada pelo Gerontology Research Group (GRG), que tem representantes no Brasil, após a veiculação de uma matéria sobre a idade de vó Quita em um site da cidade de Carangola, localizada a 246 quilômetros de Juiz de Fora.

"São pesquisadores que se dedicam à descoberta de pessoas com mais de 110 anos, os chamados supercentenários. De posse dos documentos enviados pela família, será traçada a árvore genealógica". De acordo com a bisneta, após as análises, as informações são repassadas ao Guinness World Records, para a possível inclusão. "Torcemos para que ela consiga o título, afinal, é uma situação incomum, além de serem muitas as histórias ao longo de toda a vida."

De acordo com informações repassadas pelo GRG à família, caso seja confirmada a afirmação a respeito da data de nascimento, vó Quita será colocada à frente da atual detentora do título de cidadã mais velha do mundo, uma americana nascida em 26 de agosto de 1896.

Vivacidade

Mãe de um filho, que morreu aos 75 anos, vó Quita tem quatro netos, sete bisnetos e três trinetos. Apesar de não conseguir se locomover sem o auxílio da cadeira de rodas, devido a uma fratura no fêmur ocorrida em função de uma queda aos 110 anos, e ter um marcapasso desde os cem anos, a idosa é, segundo os familiares, cheia de lucidez e vivacidade. "Ela sabe o que quer e o que não quer. Gosta de estar sempre participando de tudo. Só parou de cozinhar aos cem anos devido ao risco de queimaduras. Mas, ainda assim, nos auxilia, cortando verduras e ditando a famosa receita de biscoito de polvilho para que possamos fazê-la."

Vó Quita, que é devota de Nossa Senhora Aparecida, está se recuperando de uma internação recente, quando ficou hospitalizada por cinco dias, devido a uma infecção urinária. "No hospital, ela acabou desenvolvendo uma anemia. Com os problemas, ela passou a se mostrar confusa. Assim, optamos por trazê-la para casa, onde ela ainda não está se alimentando direito, além de estar muito sonolenta." Vó Quita mora em sua casa e é acompanhada por uma cuidadora e por familiares, que se revezam nos cuidados.

Vida na roça

Segundo Taís, sua bisavó era filha de um coronel e foi criada na roça, como uma sinhazinha. "Ela sempre trabalhou na roça, mas fazendo serviços de casa, na cozinha, ou costurando. Além disso, sempre gostou muito de festas. Contam que meu bisavô não gostava de ir a bailes, com isso, ele ficava cuidando do meu avô, enquanto ela montava no cavalo e vinha para a cidade dançar forró." A bisneta ressalta que a animação sempre fez parte da vida de vó Quita. "Temos foto dela aos cem anos de maiô, curtindo praia."

Com relação à alimentação, Taís relata que a bisavó nunca teve qualquer tipo de restrição. "Ela sempre comeu muita verdura, mas nada de dieta", revela, apontando que, recentemente, a idosa se alimentou com um prato de feijoada. Pela manhã, vó Quita come um pão, acompanhado de uma xícara de café; antes do almoço, costuma comer uma fruta ou tomar leite com linhaça. "Ela é assim, tem suas vontades, aproveita a vida até hoje, é divertida e engraçada", afirma Taís, lembrando que no mês de julho, vó Quita completa 115 anos com direito a bolo e reunião entre familiares e amigos.

Os textos são revisados por Thaísa Hosken

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