
Débora Sereno
16/02/2004
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Você acorda com uma sensação estranha. A princípio não sabe bem o que é. A pergunta que não quer calar: o que aconteceu? Tenta se levantar e ... não. Espere. A sua cabeça parece que vai explodir. Resolve se recostar na cama novamente - se é que você conseguiu chegar até a cama na última noite. De repente, além da dor de cabeça, você se sente enjoado, com o estômago embrulhado, um gosto horrível na boca. É isso mesmo: você está de ressaca.
Aproveitando a deixa do carnaval, época em que este parece ser um fenômeno generalizado, separamos algumas dicas para quem acaba perdendo a medida e bebendo um pouco além da conta.
Primeiro: a notícia ruim. O gastroenterolgista João Carlos de Oliveira (foto
ao lado)
garante: nada de comprimidinho para antes e depois, colher de azeite,
bebidas isotônicas. A única maneira eficaz de evitar a ressaca é beber
moderadamente.
Agora, a boa notícia: o ACESSA.com desvenda os mistérios do "mal do dia seguinte". Saiba o que é mito e o que é verdade, na hora de curar, ou pelo menos minimizar, os efeitos da ressaca.
O caminho do álcool no
organismo
Quando ingerido, o álcool vai direto para fígado onde é metabolizado e
depois cai na corrente sangüínea. De lá ele é levado até o cérebro. A
sensação inicial é de euforia e desinibição. Mas a longo prazo, ele
passa a ter o efeito depressivo e acaba causando sonolência e diminuição
dos reflexos. Aos poucos ele vai sendo absorvido pelo organismo. É ai que a
coisa complica.
Os sintomas
A ressaca é uma síndrome, um conjunto de sintomas, que indica que houve uma
intoxicação causada pela ingestão excessiva de álcool. As características mais comuns
são: tremores, enjôos, dor de cabeça, fadiga combinadas com a redução na
concentração e velocidade de pensamento e raciocínio. Esses sintomas são
decorrentes de uma série de alterações no corpo, especialmente
no fígado, cérebro, coração, rins e sistema nervoso.
Um santo remédio
O gastroenterolgista João Carlos de Oliveira garante:" O melhor remédio para
a ressaca é ingerir bastante líquido". O álcool provoca a desidratação do organismo. A
ingestão de água dilui o álcool e facilita o trabalho do fígado e
dos rins, na hora de eliminar os resíduos tóxicos.
Não se esqueça: beba bastante água antes, durante e depois da bebedeira. Ela pode até não evitar a ressaca por completo, mas irá ajudar a recuperação. Tome de 3 a 5 litros de água.
Cuidados com a alimentação
Sabe aquela desculpa clássica de quem passou da conta - não comi nada antes,
ela tem o seu fundo de verdade. Quando você ingere álcool de
estômago vazio, o álcool e absorvido mais rapidamente e, consequentemente,
você vai ficar de pileque bem mais fácil. Por isso, antes de tomar todas
faça um refeição.
A alimentação do dia seguinte também é importante. O doutor João Carlos ensina: "Dê preferência a alimentos leves, não muito gordurosos, que não dependam muito do metabolismo hepático". A ingestão de gorduras pode acabar agredindo o seu - já irritado - sistema digestivo, sob o risco de você sofrer ainda mais com os enjôos.
Quanto mais doce melhor
O álcool também age diretamente no fígado - órgão responsável pelo acúmulo e
liberação de glicose para todo o organismo, provocando a redução de açúcar no sangue
(hipoglecimia).
A injeção de glicose, prática comuns nos pronto-socorros, faz com essa taxa se normalize e acelere a queima do álcool, facilitando a recuperação. Mesmo que o caso não requeira uma visita ao pronto-socorro, fica outra dica: consuma doses extras de açúcar.
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