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Leitura obrigatória sobre 1964: San Tiago Dantas

Cláudio de Oliveira - Abril 2019
 


Peço aos meus amigos a leitura do livro Em busca da esquerda esquecida: San Tiago Dantas e a Frente Progressista [1].

Uma bela obra sobre San Tiago Dantas (PTB), ministro da Fazenda do governo João Goulart, e seu esforço para resolver a crise que antecedeu o golpe de 1964.

Destaco três questões discutidas no livro.

1. A solução parlamentarista

San Tiago Dantas foi um dos articuladores da implantação do parlamentarismo como solução para contornar o veto das forças armadas à posse do vice-presidente João Goulart após a renúncia do presidente Jânio Quadros, em 1961.

O parlamentarismo não teve apoio dos três principais candidatos na eleição à Presidência da República marcada para 1965: Juscelino Kubitschek (PSD), Carlos Lacerda (UDN) e Leonel Brizola (PTB). O sistema parlamentar foi derrubado por um plebiscito.

Segundo o deputado Francisco Julião (PSB), “se o regime tivesse continuado parlamentarista, é possível que se houvesse evitado o golpe militar. Aliás, continuo parlamentarista até hoje, por convicção” [2].

2. O Plano Trienal

San Tiago Dantas apresentou juntamente com o ministro do Planejamento, o economista Celso Furtado, o Plano Trienal.

O plano, segundo o livro, tinha o “objetivo de estabelecer regras e instrumentos rígidos para o controle do déficit público e o combate à inflação sem comprometer o desenvolvimento econômico”.

O PIB havia caído de 7,7% em 1961 para 3,5% em 1962 e a inflação chegara a 50,1%.

As medidas foram bombardeadas tanto por representantes dos empresários como dos trabalhadores.

3. A Frente Progressista

Apoiado pelo PTB, PSB e deputados ligados ao ilegal PCB, minoritários no Congresso, Goulart incumbiu Dantas de ampliar a base de apoio do governo, ao buscar um acordo de reformas moderadas com o centrista PSD, detentor da maior bancada na Câmara de Deputados.

A proposta da Frente Progressista foi torpedeada por setores majoritários da esquerda, que defendiam um programa de reformas que não tinha apoio da maioria dos parlamentares.

O Brasil caminhou para uma perigosa radicalização política. De um lado, a esquerda, que chegou a propor soluções “extraparlamentares”, o fechamento do Congresso e a convocação de uma Constituinte [3]. De outro, a direita, que pedia a derrubada de Goulart. Esta última prevaleceu em 31 de março de 1964. A voz ponderada de San Tiago Dantas foi esquecida. Nos tempos de hoje, convém lembrá-la pela leitura do livro.

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Jornalista e cartunista do jornal Agora São Paulo

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Notas

[1] Gabriel da Fonseca Onofre. Em busca da esquerda esquecida: San Tiago Dantas e a Frente Progressista. Curitiba: Prismas, 2015. 236p.

[2] Dênis de Moraes. A esquerda e o golpe de 64. Rio de Janeiro: Espaço Tempo, 1989.

[3] José Antonio Segatto. Reforma e revolução. As vicissitudes politicas do PCB. 1954-1964. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1995.

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Fonte: Especial para Gramsci e o Brasil.

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