Espetáculo "Lado B" resgata a Black Music dos anos 1970 e debate autonomia artística e identidade negra em JF
Nova montagem da Cia CLAC, desenvolvida pela Turma de Montagem do Programa Gente em Primeiro Lugar, terá apresentações nos dias 29 e 30 de outubro, no Teatro Paschoal Carlos Magno, em Juiz de Fora.
A música negra brasileira, os bailes black e as disputas por autonomia artística são o ponto de partida de “Lado B”, novo espetáculo da Cia CLAC, desenvolvido pela Turma de Montagem do Programa Gente em Primeiro Lugar (PGPL). Com apresentações marcadas para quinta-feira (29) e sexta-feira (30), às 20h, no Teatro Paschoal Carlos Magno, em Juiz de Fora, a montagem convida o público a refletir sobre identidade racial, autoria, poder e os limites impostos pela indústria cultural.
Inspirado na atmosfera da Black Music dos anos 1970, o espetáculo acompanha a trajetória de uma banda de soul music formada e gerida por jovens negros que busca conquistar autonomia, criar seus próprios espaços de encontro e encontrar formas de expressão para além das estruturas tradicionais do mercado do entretenimento.
A narrativa dialoga com um período de intensa efervescência cultural, marcado pela valorização da identidade negra, pela afirmação dos cabelos crespos e pela politização da juventude negra brasileira. Esse movimento se desenvolveu durante a Ditadura Militar, contexto em que a repressão também podia atingir artistas e espaços de criação.
Em cena, “Lado B” aborda questões como quem tem o direito de criar, quem decide os rumos de uma obra e o que acontece quando a produção artística de pessoas negras passa a despertar o interesse comercial. A montagem também propõe uma reflexão sobre as negociações com o mercado e os desafios de preservar a própria identidade diante das pressões externas.
Música, atuação e dança se articulam na construção do espetáculo, que transforma a pista de dança em um espaço de memória e expressão cultural. A trilha sonora conta com músicos em cena, enquanto figurinos, cenografia e identidade visual integram um processo de criação coletiva envolvendo articuladores e supervisores do Programa Gente em Primeiro Lugar.
A proposta é revisitar a história da música negra brasileira a partir de seus protagonistas, destacando a contribuição da juventude negra para a cultura nacional e as disputas em torno do reconhecimento, da autoria e do controle sobre a própria produção artística.