Mesmo com R$70 mi de subsídios, profissionais do transporte público paralisam atividades por falta de reajuste em Juiz Fora
Categoria alega que empresa ofereceu reajuste de 2,5%.
O transporte público de Juiz de Fora paralisou suas atividades nesta quinta-feira (24), após reunião entre os trabalhadores da categoria e o Consórcio ViaJF, responsável pelo serviço na cidade.
O Consórcio já recebeu mais de R$ 70 milhões em subsídios da Prefeitura Municipal até maio deste ano, entretanto ofereceu um reajuste de 2,5% para os trabalhadores que rejeitaram a proposta apresentada pela empresa, culminando na paralisação.
O Sindicato dos Trabalhadores em Transporte de Juiz de Fora (SinttroJF), por meio de seu presidente Vagner Evangelista, expressou "indignação" com o resultado. Alegando que a porcentagem está muito aquém do que é necessário para viver com dignidade em uma cidade do porte de Juiz de Fora.
Segundo o presidente do SinttroJF, a tentativa de negociar foi classificada com uma atitude de "desrespeito" com os trabalhadores. Os rodoviários reivindicam salários dignos e destacam que muitos já operam sem cobrador, acumulando funções e responsabilidades.
Por enquanto, o movimento se configura como uma paralisação, vista pelo sindicato como um "alerta" da força e união da categoria. Contudo, o SinttroJF deixou claro que, se a postura da empresa não mudar, a paralisação poderá rapidamente se transformar em uma greve geral.
Já o Consórcio ViaJF comunicou à população que a paralisação deflagrada pelos trabalhadores é considerada ilegal. A empresa alega que a greve ocorre durante um período de negociação coletiva e sem que todas as instâncias jurídicas previstas na Lei nº 7.783/1989 tenham sido esgotadas.
Segundo o Consórcio, o movimento grevista não cumpriu requisitos essenciais da legislação, como a manutenção de 30% dos serviços, já que o transporte coletivo é uma atividade essencial (Art. 10 e Art. 11 da Lei 7.783/1989), e a notificação prévia de 72 horas (Art. 13).
A ViaJF ressalta que, apesar do impasse no índice econômico, o diálogo institucional permanece aberto, com expectativa de uma nova reunião sob mediação do Ministério do Trabalho. O Consórcio classificou a deflagração antecipada da paralisação como uma afronta ao princípio da boa-fé negocial, interferindo na prestação de um serviço público essencial, e informou que poderá adotar medidas legais cabíveis por abuso do direito de paralisação.
Posicionamento do Executivo:
A Prefeitura de Juiz de Fora tomou conhecimento da paralisação do transporte coletivo na Avenida Rio Branco e foi informada de que este processo se relaciona à campanha salarial dos trabalhadores rodoviários.
A Secretaria de Mobilidade Urbana já notificou as empresas da concessão visando à restauração da normalidade no mais breve prazo possível.