Polícia desarticula esquema que lucrava com furto de fios de cobre e poluía rio em Juiz de Fora

Operação Cyprium apreende 1,5 tonelada de material e expõe esquema que usava ferro-velho para extrair metal e revender.

Por Redação

Operação Cyprium

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), em Juiz de Fora, deflagrou a operação Cyprium, nesta quarta-feira (3), que resultou na prisão em flagrante de um homem, de 29 anos, suspeito de liderar esquema de receptação qualificada de fios de cobre. Durante a ação, foram apreendidas aproximadamente 1,5 tonelada de fios de cobre.

A operação, coordenada pelo setor de Inteligência da Delegacia Regional em conjunto com a equipe da PCMG que apura crimes ambientais no município, levou os policiais a uma propriedade rural no bairro Torreões, onde o material furtado era recebido e preparado para revenda.

O suspeito, apontado como dono de ferro-velho, apresentava crescimento patrimonial atípico e já vinha sendo monitorado pela equipe de inteligência. No local, os investigadores identificaram a prática de queima de fios no leito do Rio do Peixe, em área de preservação ambiental, para separar a borracha do cobre, provocando emissão de gases tóxicos e degradação ambiental.

Além da grande quantidade de fios, a investigação apurou que o cobre era destinado a receptadores de maior potencial econômico, podendo alcançar até o dobro do valor de mercado. O material recuperado será devolvido às vítimas e empresas lesadas. Já o cobre já queimado, sem possibilidade de identificação, seguirá para a cadeia de custódia e terá destinação definida pela Justiça, podendo ser doado ou destruído.

Três veículos também foram apreendidos, um deles com sinal de identificação adulterado.

"Além do combate à receptação, a operação tem um caráter fundamental de proteção ambiental. A queima de fios em áreas de preservação provoca poluição atmosférica e contamina o solo e os cursos d'água, afetando diretamente a fauna, a flora e a saúde das comunidades próximas. Nosso trabalho também busca impedir esse tipo de degradação", ressaltou o delegado Marcos Vignolo, responsável por investigação de crimes ambientais.

Esquema:

O esquema criminoso seguia um ciclo estruturado: fios eram furtados em diferentes pontos da cidade e encaminhados ao espaço rural em Torreões, onde passavam pelo processo de queima para extração do metal. Em seguida, o cobre era vendido a receptadores maiores, que inseriam o material no mercado formal, obtendo ganhos ilícitos expressivos.

As investigações continuam para identificar outros envolvidos, tanto na execução dos furtos quanto na receptação em maior escala.

O suspeito detido foi encaminhado ao sistema prisional e será indiciado por poluição ambiental, associação criminosa e adulteração de sinal identificador de veículo.