Estudo aponta volume crítico de chuva que provoca deslizamentos em Juiz de Fora
Pesquisa analisou 932 ocorrências entre 2019 e 2022 e identificou limiares de precipitação capazes de deflagrar instabilidade nas encostas.
A Defesa Civil de Juiz de Fora apresentou os resultados de um estudo inédito que correlaciona índices de chuva e a ocorrência de deslizamentos no município. A pesquisa integra o livro “Indicadores de Risco de Desastres no Brasil”, lançado na quarta-feira (19).
O trabalho analisou dados de precipitação do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e registros do Sistema de Informações da Defesa Civil (Sisdec) entre os períodos chuvosos de 2019 a 2022. No total, foram avaliadas 932 ocorrências de deslizamentos, permitindo a criação de indicadores sobre como a chuva afeta a estabilidade do solo.
Os resultados mostram que os deslizamentos estão principalmente associados a chuvas intensas em 24 horas ou ao acúmulo de precipitação em 96 horas, que aumenta a saturação do solo. O estudo identificou limiares críticos:
- 20 a 60 milímetros de chuva em 24 horas
- 80 a 150 milímetros acumulados em 96 horas
Esses valores servem para prever situações de risco com antecedência, definir áreas com maior potencial de deslizamento e embasar decisões preventivas.
Cerca de 30% das ocorrências no período analisado se concentraram na Região Leste da cidade, área marcada por relevo acidentado, urbanização crescente e episódios de chuva intensa. O levantamento também aponta que fatores geológicos e antrópicos — como infiltrações, lançamento irregular de água e ocupação de encostas — reduzem o volume necessário de chuva para provocar deslizamentos.
A inclusão do estudo na publicação nacional marca um avanço para Juiz de Fora, que passa a contar com indicadores técnicos para aprimorar políticas públicas, fortalecer o sistema de monitoramento e orientar a população durante o período chuvoso.