Após chuvas em Juiz de Fora, Prefeitura abre crédito suplementar de cerca de R$11,9 milhões para obras no Rio Paraibuna e encostas
Medida ocorre em meio a chuvas intensas que já ultrapassam em 70% o volume esperado para fevereiro e provocaram alagamentos e riscos de deslizamentos na cidade.
A Prefeitura de Juiz de Fora abriu um crédito suplementar de R$13.160.633,44 no orçamento municipal em meio às fortes chuvas que atingiram a cidade. Do total, R$11,9 milhões serão aplicados em obras de qualificação das margens do Rio Paraibuna e de contenção de encostas, sendo R$10,2 milhões destinados às intervenções no rio e R$1,7 milhão às ações de estabilização de áreas com risco de deslizamentos. Outros R$1,2 milhão serão direcionados ao Fundo Municipal de Saúde para a operacionalização da atenção especializada.
Segundo o decreto, os recursos utilizados para a abertura do crédito suplementar têm origem em superávit financeiro apurado em 31 de dezembro de 2025, conforme previsto na Lei nº 4.320/1964. A medida foi autorizada pela Lei nº 15.300, de 30 de dezembro de 2025, que trata do orçamento municipal de 2026. O decreto foi assinado pela prefeita Margarida Salomão e pelo secretário de Governo, Ronaldo Pinto Junior, e entrou em vigor na data de sua publicação.
Chuvas acima da média, alagamentos e ocorrências
A liberação do crédito ocorre em um momento de atenção máxima por causa das chuvas intensas que atingem Juiz de Fora. Em apenas nove dias, o acumulado chegou a cerca de 300 milímetros, o que representa aproximadamente 170% do volume de chuva esperado para todo o mês de fevereiro. Somente nessa segunda-feira (9), foram registrados cerca de 50 milímetros em apenas 40 minutos, segundo a Defesa Civil.
A situação mais crítica foi registrada na Rua Feliciano Pena, no bairro Mariano Procópio, que recebeu grande volume de água do córrego Democrata. Com o nível elevado do Rio Paraibuna, a água não conseguiu escoar, provocando represamento e alagando trechos da Avenida Brasil e da própria Rua Feliciano Pena. A via segue interditada pela Secretaria de Mobilidade Urbana (SMU) e é monitorada pela Defesa Civil. Por volta das 18h, a água começou a drenar, e equipes permanecem no local para vistorias. O Demlurb está de prontidão para realizar a limpeza.
Outros pontos da cidade também registraram transtornos. No bairro Marumbi, uma árvore caiu sobre a Rua Joaquim Marques Coimbra, afetando o trânsito. No Caeté, houve queda de árvore com obstrução parcial da via. No bairro Bonfim, uma árvore atingiu uma residência, sem registro de feridos. Já nos bairros Monte Castelo e Bom Pastor, moradores ficaram temporariamente isolados devido a enxurradas vindas de taludes.
Também foram registrados alagamentos no córrego Humaitá, no bairro Jardim Natal, e ocorrências de escorregamento de talude no bairro Santa Rita. Segundo o Corpo de Bombeiros Militar, todas as ocorrências foram atendidas sem registro de vítimas.
Os maiores volumes de precipitação foram registrados nos bairros Spinaville (51 mm), Alphaville (50,8 mm) e São Pedro (50 mm). No Centro, choveu 37,7 mm, enquanto o bairro Milho Branco acumulou 35,9 mm em menos de uma hora.
A Defesa Civil e demais órgãos municipais seguem em monitoramento constante, especialmente em áreas com histórico de alagamentos e risco de deslizamentos. A orientação é para que a população redobre a atenção durante períodos de chuva intensa e acione os serviços de emergência sempre que identificar situações de risco.