PJF afirma querer enfrentar crise do Saúde Servidor, mas não apresenta solução imediata para quitar dívidas com fornecedores
A reportagem questionou a prefeitura sobre os fornecedores, mas a resposta foi de que, no momento, seriam apenas esses os argumentos apresentados.
A Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) anunciou uma proposta para enfrentar a crise financeira do Plano de Assistência à Saúde dos Servidores Municipais (Saúde Servidor), que prevê mudanças no modelo de financiamento e na gestão do plano, com o objetivo, segundo a administração, de garantir a continuidade dos atendimentos. Apesar disso, não foi apresentada uma solução concreta para o pagamento das dívidas acumuladas com fornecedores, que relatam atrasos de vários meses. A reportagem questionou a prefeitura sobre esse ponto, mas a resposta foi de que, no momento, seriam apenas esses os argumentos apresentados.
De acordo com a PJF, a proposta envolve a reorganização do custeio do Saúde Servidor, com participação dos entes mantenedores, revisão de despesas e medidas para buscar o equilíbrio financeiro do plano. A administração municipal sustenta que as mudanças são necessárias para evitar a interrupção dos serviços e dar sustentabilidade ao sistema a longo prazo.
No entanto, o anúncio não trouxe detalhamento sobre valores, prazos ou um cronograma de quitação das dívidas existentes, que são uma das principais reivindicações dos prestadores de serviço que atendem servidores municipais.
Fornecedores relatam crise financeira
Enquanto a prefeitura apresenta a proposta, empresários que prestam serviços ao Saúde Servidor afirmam viver uma situação crítica. Como mostrado pelo Acessa no final do ano passado, sem receber desde abril, o empresário Wendel de Oliveira Henriques relatou as dificuldades enfrentadas por sua empresa.
“Atendo 70% pelo Saúde Servidor e não estou conseguindo pagar os médicos. Minha empresa está negativada e vim pedir ajuda para conseguir mantê-la. Tenho 10 funcionários, e neste mês há o pagamento do 13º, mas não estamos recebendo.”
O diretor de um laboratório, Marcelo Chagas de Souza, informou que a instituição acumula uma dívida de cerca de R$ 300 mil, referente a serviços prestados ao longo de 2024 e 2025.
“As pessoas chegam precisando de tratamento. Muitas fazem coletas de urina de 24 horas, vêm de longe, e é muito difícil dizer que não vamos atender.”
Segundo os prestadores, a falta de repasses compromete o pagamento de funcionários, médicos e fornecedores, além de colocar em risco a continuidade do atendimento aos usuários do plano.
A reportagem questionou a PJF sobre como a proposta apresentada se traduzirá no pagamento dos valores em atraso, mas a administração municipal não informou prazos nem garantias, limitando-se a reiterar que a proposta divulgada é, por ora, a posição oficial do governo.