Busca por desaparecidos segue no Parque Jardim Burnier em Juiz de Fora

Número de corpos encontrados chega a 12 após deslizamento que atingiu conjunto de casas; 9 pessoas seguem desaparecidas.

Por Isabella Oliveira

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Subiu para 12 o número de corpos encontrados após o deslizamento que atingiu um conjunto de casas no bairro Parque jJardim Burnier, em Juiz de Fora. Nesta quarta-feira (25), mais três pessoas foram localizados pelas equipes de resgate. Outras 9, da mesma família, seguem desaparecidas sob os escombros.

A tragédia ocorreu após fortes chuvas que atingiram a cidade. As buscas são temporariamente suspensas sempre que a chuva volta a cair, devido ao risco de novos deslizamentos e à instabilidade do terreno. As operações são retomadas assim que as condições permitem, mediante avaliação técnica.

Relatos de desespero

Moradores descrevem o momento como aterrorizante. Sandra, que vive na região e chegou ao local cerca de 30 minutos após o ocorrido, relatou cenas de desespero. “Gritos, criança sendo arrastada pela lama. Foi sofredor”, afirmou. Ela disse conhecer todos os integrantes da família atingida e destacou que, neste momento, a prioridade é localizar os desaparecidos. “Primeiro é achar o restante da família. Depois pensar no que vai ser feito”.

Segundo ela, a comunidade é historicamente unida. “Total rede de apoio. Todo mundo. Tanto do bairro quanto de outros bairros e cidades. Estamos muito agradecidos”, declarou.

O morador Adriano também ajudou no resgate inicial. Ele contou que a chuva já era intensa há algum tempo quando ouviu a estrutura da casa tremer. “Escutei minha casa rumbindo, tremendo muito e gente gritando socorro.” Segundo ele, conseguiu retirar uma criança que estava presa entre pedras, além de socorrer outras pessoas. “Foi muito desesperador. Tem muita família ainda enterrada aí.” Adriano afirmou que perdeu parentes na tragédia e que alguns ainda não foram localizados.

Avaliação técnica e alerta

O coordenador da Defesa Civil de Minas Gerais, coronel Rezende, informou que engenheiros realizam avaliações criteriosas nas áreas atingidas e que moradores de áreas consideradas de risco estão sendo orientados a deixarem suas casas.

“É preciso ter cautela e priorizar a vida. Aqueles que saíram não retornem”, alertou. Ele destacou que sinais como aumento de rachaduras, portas e janelas emperradas podem indicar movimentação do solo. “Na dúvida, priorize a vida”.

Segundo o coronel, as equipes do Corpo de Bombeiros analisam continuamente as condições do terreno antes de retomar as buscas, considerando o risco também para os militares envolvidos na operação.

Doações e apoio às famílias

Familiares das vítimas organizaram uma vaquinha online para auxiliar nas despesas emergenciais. As contribuições podem ser feitas pelo link disponibilizado pela família ou via Pix pelo número (32) 98811-3081.

Doações de produtos de higiene pessoal, itens de limpeza, alimentos e água podem ser entregues na Rua Adelaide Campos de Rezende, 664.