Ministério Público acompanha deslizamentos em Juiz de Fora e reforça alerta sobre ocupações em áreas de risco

Promotoria aponta associação entre desastres naturais e vulnerabilidades ambientais e sociais em Juiz de Fora.

Por Isabella Oliveira

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O Ministério Público de Minas Gerais informou que está acompanhando a situação das áreas atingidas pelas chuvas em Juiz de Fora. A reportagem conversou com o promotor de Justiça Alex Santiago no bairro Paineiras, onde uma casa foi soterrada após deslizamento de terra.

No imóvel estavam cinco pessoas. Até o momento, três foram localizadas, duas mulheres e um homem. Duas crianças seguem desaparecidas sob os escombros. As buscas continuam e são realizadas com cautela, devido ao risco de novos deslizamentos.

Durante a visita ao local, o promotor, que atua nas áreas de Defesa do Meio Ambiente, Habitação e Urbanismo, destacou que o momento é de solidariedade às famílias atingidas, mas também de reflexão sobre a ocupação urbana no município.

“É um momento muito triste para toda a cidade e região da Zona da Mata. Os desastres, embora tenham causas naturais, se associam às vulnerabilidades ambientais e sociais”, afirmou.

Segundo ele, situações como a registrada no Paineiras evidenciam um problema estrutural que atinge diferentes regiões da cidade. O promotor ressaltou que o Ministério Público já vinha adotando medidas para coibir construções em áreas consideradas de risco, como encostas, proximidades de cursos d’água e topos de morro, classificadas como áreas de preservação permanente.

“Temos vários processos, ações civis públicas e termos de ajustamento de conduta para evitar edificações em áreas que podem trazer problemas ao meio ambiente e às próprias pessoas. Esse é um exemplo trágico”, declarou.

Alex Santiago enfatizou que a atuação do órgão não se restringe à fiscalização. “Estamos aqui muito mais do que para fiscalizar. Estamos para contribuir, para minorar e ajudar a resolver esse problema.”

Ele reforçou que o episódio deve servir de alerta para evitar novas ocupações em áreas vulneráveis e reduzir o risco de tragédias semelhantes em Juiz de Fora.