Comércio de Juiz de Fora acumula prejuízos após enchentes e até 16% das empresas já avaliam fechar as portas
Pesquisa do Sindicomércio JF com 277 empresários mostra danos estruturais em 60% dos estabelecimentos, falta de crédito emergencial e risco de demissões no setor após os temporais que atingiram Juiz de Fora.
As chuvas que atingiram Juiz de Fora no fim de fevereiro também provocaram fortes impactos econômicos no comércio da cidade. Um levantamento divulgado pelo Sindicomércio JF aponta que grande parte dos empresários sofreu prejuízos financeiros e danos estruturais nos estabelecimentos, além de enfrentar dificuldades para retomar as atividades.
O Relatório de Impacto Econômico das Enchentes, elaborado pela entidade, foi baseado em um questionário respondido por 277 comerciantes da cidade. Os dados indicam um cenário considerado preocupante, principalmente entre empresas de pequeno porte, que representam a maior parte do setor comercial local.
Danos estruturais e perdas financeiras
De acordo com o levantamento, 60% dos estabelecimentos sofreram danos graves, com a água atingindo estoques, móveis, equipamentos e instalações.
Outros 12,7% registraram danos considerados leves, enquanto 3,6% relataram perda total ou comprometimento estrutural do imóvel.
Além dos estragos físicos, os empresários também relatam impacto direto nas finanças. Entre os entrevistados:
- 63,6% estimam prejuízos de até R$50 mil
- 14,5% apontam perdas entre R$50 mil e R$100 mil
Os dados mostram que, mesmo quando os danos estruturais não foram totais, muitos comerciantes perderam mercadorias e equipamentos, o que compromete a continuidade das atividades.
Pequenos negócios são os mais afetados
O perfil dos participantes da pesquisa mostra que 81,5% dos estabelecimentos afetados são empresas de pequeno porte.
A maior parte atua no setor de varejo, que corresponde a 75,9% da amostra, incluindo lojas de roupas, mercados, farmácias e outros comércios de atendimento direto ao consumidor.
Outro fator que agrava a situação é a falta de proteção financeira contra esse tipo de evento. Segundo o relatório 81,8% dos comerciantes não possuem seguro empresarial.
Além disso, 83,6% dos estabelecimentos funcionam em imóveis alugados, o que aumenta a pressão financeira sobre os empresários, que continuam responsáveis por despesas como aluguel, mesmo durante o período de recuperação após o desastre.
Falta de crédito é principal preocupação
Entre as principais necessidades apontadas pelos empresários neste momento, o acesso a crédito emergencial aparece como a demanda mais urgente.
Segundo o levantamento:
- 72,7% dos comerciantes afirmam precisar de linhas de crédito bancário
- 65,5% apontam a falta de capital de giro como o maior desafio administrativo
O crédito é visto como fundamental para recompor estoques, reparar danos e manter o funcionamento das empresas nas próximas semanas.
Outras demandas citadas pelos empresários incluem:
- Orientação jurídica para lidar com prejuízos e contratos (10,9%).
- Reforço na segurança e policiamento (9,1%).
- Apoio para retirada de entulho (7,3%).
- Fornecimento de equipamentos e materiais de limpeza (5,5%).
Risco de fechamento e demissões
O relatório também alerta para a possibilidade de agravamento da crise no comércio caso medidas emergenciais não sejam adotadas.
Entre os empresários entrevistados:
- 40% apontam risco de endividamento severo.
- 18,2% avaliam reduzir suas operações.
- 16,4% indicam possibilidade de fechar a empresa.
- 14,5% afirmam que podem realizar demissões.
Somados, os indicadores apontam que cerca de 30% dos negócios já enfrentam risco direto de ruptura, seja pelo fechamento das empresas ou pela necessidade de corte de funcionários.
Dados serão usados para buscar apoio
Segundo o presidente do Sindicomércio JF, Emerson Beloti, a pesquisa tem o objetivo de dimensionar os impactos das enchentes e apoiar a busca por soluções junto ao poder público.
“Essa pesquisa é extremamente importante porque nos permite compreender com clareza o tamanho do impacto que as enchentes causaram no comércio de Juiz de Fora. Com esses dados concretos em mãos, o Sindicomércio pode dialogar de forma ainda mais consistente com o município, o Governo do Estado e o Governo Federal, buscando soluções, apoio e medidas que ajudem os empresários a reconstruir seus negócios e preservar empregos”, afirmou.
Propostas para recuperação do setor
Com base nos resultados da pesquisa, o relatório também apresenta sugestões de medidas emergenciais para reduzir os impactos no comércio da cidade.
Entre as principais recomendações estão:
- Criação de linhas de crédito emergenciais para capital de giro.
- Mutirões de orientação jurídica e contábil para empresários.
- Apoio público na limpeza urbana e retirada de entulho.
- Postergação de tributos e renegociação de dívidas.
- Desenvolvimento de planos de resiliência urbana para áreas mais vulneráveis.
Segundo a entidade, o objetivo é que os dados do levantamento contribuam para orientar políticas públicas e iniciativas institucionais voltadas à recuperação econômica do comércio de Juiz de Fora após as chuvas.
