Dois meses após chuvas, autoridades apontam avanços, mas famílias ainda aguardam solução em Juiz de Fora
Levantamento detalha mais de 8 mil vistorias, alto número de interdições e impacto em todas as regiões da cidade.
Dois meses após o desastre causado pelas chuvas na Zona da Mata, autoridades municipais, estaduais e federais se reuniram nesta quinta-feira (23), em Juiz de Fora, para avaliar as ações de resposta e reconstrução. O encontro do Gabinete de Crise e Resposta ocorreu no 4º Batalhão do Corpo de Bombeiros e abordou temas como assistência às famílias atingidas, liberação de recursos e recuperação de áreas afetadas.
Segundo a Prefeitura de Juiz de Fora, foram registradas 8.113 solicitações de vistorias técnicas em diferentes regiões da cidade, evidenciando a dimensão dos impactos. A Região Leste concentrou o maior número de chamados, com 2.469 registros, seguida pelas regiões Norte (1.741), Sudeste (1.513) e Sul (1.055). Também houve ocorrências nas regiões Nordeste (581), Centro (434) e Oeste (320), indicando que os efeitos das chuvas atingiram todo o município.
Entre os principais tipos de ocorrência, os escorregamentos de talude lideram, com 3.503 registros, além de 949 casos de ameaça de deslizamento, situações que exigem monitoramento contínuo. Para ampliar a capacidade de resposta, o efetivo da Defesa Civil foi ampliado de 55 para 92 profissionais, com previsão de chegar a 125 servidores.
Desde 23 de fevereiro, foram realizadas 2.697 interdições de imóveis, sendo 1.436 totais, 620 temporárias e 641 parciais. Ao mesmo tempo, 624 reavaliações permitiram a liberação de 200 imóveis para retorno seguro das famílias. O trabalho segue em regime contínuo, inclusive 24 horas por dia.
Durante a reunião, foram discutidas medidas como inclusão de desabrigados em programas sociais, vistorias em áreas de risco, segurança de imóveis evacuados e destinação de verbas para reconstrução.
Segundo a Defesa Civil, o volume de vistorias realizadas em dois meses é equivalente ao que normalmente seria feito em até oito anos. Apesar disso, ainda há muitas famílias fora de casa, o que evidencia a gravidade dos danos.
O promotor de Justiça Alex Santiago avaliou que, apesar de avanços, a resposta ainda não atendeu plenamente às demandas da população. Ele citou o programa federal Compra Assistida, que prevê até R$200 mil para famílias adquirirem um novo imóvel, com triagem feita pelo município. Também mencionou o programa estadual Moradas Gerais, voltado à reforma de imóveis danificados.
Além dessas iniciativas, há previsão de apoio complementar, como a aquisição de eletrodomésticos para famílias atingidas. Segundo o promotor, há negociações para doações por parte de uma empresa internacional.