Relatório da Defesa Civil aponta risco muito alto no Morro do Cristo e impede retorno de moradores em Juiz de Fora
Estudo técnico identifica instabilidade de rochas e solo após chuvas de fevereiro e recomenda obras emergenciais antes da liberação da área.
Moradores não podem voltar para imóveis na base do Morro do Cristo, em Juiz de Fora, devido ao risco muito alto de novos deslizamentos. A conclusão é de um relatório técnico da Defesa Civil que identificou blocos de rocha e solo instáveis ao longo da encosta após as chuvas intensas de fevereiro de 2026. O documento recomenda obras emergenciais e descarta, por enquanto, a desinterdição da área.
O estudo foi realizado entre março e abril pelo geólogo Luiz Wallace, com vistorias em campo, incluindo descidas por corda na encosta, além de análises geológicas e do relevo. O objetivo foi mapear pontos de risco e identificar áreas com maior chance de novos deslizamentos.
Entre os locais mais críticos estão as regiões próximas às ruas Constantino Paleta, Marechal Deodoro, área da Halfeld e parte superior da Carmelo. Nesses pontos, foram identificados grandes blocos de rocha e volumes de solo que se deslocaram durante as chuvas e permanecem em situação instável.
Na parte superior das ruas Constantino Paleta e Marechal Deodoro, houve deslocamento de solo na transição com a rocha, formando acúmulos de blocos de grande porte que ainda podem se mover. Parte desse material ficou retida na encosta, mas segue com risco.
Abaixo do mirante, na região da Halfeld, o relatório aponta grande volume de detritos que desceram pela encosta. Mesmo com parte do material já depositado na base, ainda há acúmulo em áreas inclinadas, o que mantém o risco de novos deslizamentos. Também foram identificados blocos rochosos expostos e sem sustentação adequada.
Na região da Carmelo, considerada a mais crítica, há grande quantidade de blocos de rocha em áreas íngremes, alguns parcialmente soltos. Segundo o estudo, esses materiais podem rolar encosta abaixo, atingir imóveis ou até provocar novos deslizamentos.
O relatório também destaca que as chuvas de fevereiro tiveram volume muito acima da média histórica, o que desencadeou deslizamentos, alagamentos e outros impactos em toda a cidade. A formação geológica do morro, com rochas e encostas íngremes, contribui para esse tipo de ocorrência.
Diante do cenário, a recomendação é clara: só será possível liberar os imóveis após a realização de obras estruturais para estabilizar a encosta e reduzir os riscos. Até lá, a área segue considerada insegura para moradores.