Mulher com Hepatite A morre em hospital de Juiz de Fora; investigação segue em andamento
Paciente de 60 anos morreu no fim de abril no Hospital Maternidade Terezinha de Jesus; cidade registra 615 casos confirmados da doença em abril de 2026.
Uma mulher de 60 anos morreu com sorologia positiva para Hepatite A em Juiz de Fora. A informação foi confirmada pelo Hospital Maternidade Terezinha de Jesus, onde a paciente estava internada. Segundo a unidade, a mulher deu entrada no hospital no dia 28 de abril e morreu na madrugada do dia 30.
De acordo com o hospital, exames realizados durante a internação apontaram resultado positivo para Hepatite A. No entanto, a instituição informou que outros exames ainda aguardam resultado e, por isso, a investigação epidemiológica permanece em aberto.
“A sorologia colhida no hospital durante a internação teve resultado positivo para Hepatite A. Há sim, outros exames aguardando resultado, portanto a investigação epidemiológica está em aberto”, informou a unidade hospitalar.
O caso ocorre em meio ao aumento expressivo de registros da doença em Juiz de Fora. Segundo dados da Secretaria de Saúde divulgados no fim de abril, o município já contabiliza 615 casos confirmados de Hepatite A em 2026. Entre 2023 e 2025, haviam sido registrados apenas 44 casos somados, o que representa crescimento de 1.297,7%.
A Secretaria de Saúde informou anteriormente que existe tendência de alta nos casos no município e que medidas de enfrentamento foram intensificadas, incluindo fiscalização sanitária, distribuição de hipoclorito de sódio para desinfecção de água e alimentos, investigação epidemiológica, monitoramento dos registros e vacinação de contatos domiciliares e sexuais de pessoas diagnosticadas.
O infectologista Dr. Marcos Moura explicou que a Hepatite A é uma infecção viral transmitida principalmente pela ingestão de água ou alimentos contaminados.
“O vírus é eliminado nas fezes e pode contaminar o ambiente, caracterizando a transmissão fecal-oral”, afirmou.
Segundo o especialista, a disseminação da doença está diretamente ligada à precariedade do saneamento básico e à contaminação ambiental. Ele também alertou para mudanças no perfil epidemiológico da doença.
“Hoje, muitos casos também estão relacionados à prática de sexo anal, devido ao contato com material fecal durante a relação”, destacou.
Entre os sintomas mais comuns da Hepatite A estão náuseas, vômitos, falta de apetite, diarreia e mal-estar. Em alguns casos, a doença evolui para icterícia, caracterizada pelo amarelamento da pele e dos olhos. Embora a maioria dos pacientes apresente quadros leves, o médico alerta que existem situações raras de evolução grave.
“Pode haver hepatite fulminante, com necessidade de transplante de fígado”, explicou.
Especialistas reforçam que as principais formas de prevenção incluem vacinação, lavagem frequente das mãos, consumo de água tratada, higienização correta dos alimentos e cuidados com ambientes compartilhados.
A reportagem do Portal Acessa.com entrou em contato com a Secretaria de Saúde da Prefeitura de Juiz de Fora, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.