Moradores da zona rural de Juiz de Fora denunciam aumento repentino nas contas de energia e cobram explicações da Cemig
Consumidores da Região dos Pires afirmam que faturas chegaram a ultrapassar R$2 mil; comunidade busca esclarecimentos sobre critérios de cobrança adotados pela concessionária.
Moradores da Região dos Pires, no Distrito de Monte Verde, zona rural de Juiz de Fora, relatam aumentos expressivos nas contas de energia elétrica referentes ao ciclo de faturamento de maio para junho de 2026. Segundo os consumidores, faturas que historicamente variavam entre R$30 e R$100 passaram a registrar valores entre R$400 e R$2 mil, gerando preocupação e questionamentos sobre os critérios utilizados pela Cemig para calcular as cobranças.
De acordo com relatos da comunidade, diversos imóveis afetados são sítios, chácaras e propriedades rurais utilizadas apenas eventualmente ou nos fins de semana, o que, segundo os moradores, torna os valores ainda mais incompatíveis com o padrão habitual de consumo.
Em atendimentos realizados junto à concessionária, consumidores receberam a informação de que as cobranças estariam relacionadas ao modelo de leitura adotado em áreas rurais. Segundo a explicação repassada pela empresa, a leitura presencial dos medidores ocorre a cada três meses, enquanto, nos demais períodos, as contas são emitidas com base na média de consumo. A Cemig também teria informado que os clientes podem enviar mensalmente a leitura do medidor por canais digitais, como aplicativo, WhatsApp, SMS, portal da companhia ou atendimento telefônico.
Os moradores, no entanto, afirmam que nunca receberam orientações claras sobre a necessidade de realizar a autoleitura dos medidores. Segundo eles, durante anos as contas foram emitidas normalmente, sem que houvesse comunicação formal sobre a obrigação de informar mensalmente os dados de consumo.
A situação mobilizou dezenas de famílias da região. Entre os casos relatados estão contas que saltaram de cerca de R$30 para mais de R$400, faturas acima de R$800 em residências de baixo consumo e cobranças superiores a R$1 mil em propriedades utilizadas apenas esporadicamente. Alguns consumidores afirmam ter recebido contas superiores a R$2 mil.
Outro ponto questionado pela comunidade é a falta de comunicação prévia sobre possíveis ajustes decorrentes da ausência de leitura presencial. Os moradores argumentam que continuaram recebendo e pagando regularmente as contas emitidas pela concessionária e que, caso houvesse risco de acúmulo de consumo ou necessidade de autoleitura, deveriam ter sido informados previamente.
Diante da repercussão do caso, moradores iniciaram uma mobilização para reunir documentos, históricos de consumo e protocolos de atendimento. O tema também ganhou espaço em veículos de comunicação da região.
A situação chegou ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que orientou os consumidores a reunir documentação para análise do caso. Os moradores também estudam procurar órgãos de defesa do consumidor, como o Procon e a Defensoria Pública, além de recorrer ao Juizado Especial Cível para contestar individualmente as cobranças.
Entre as reivindicações da comunidade estão a revisão das contas consideradas incompatíveis com o histórico de consumo, maior transparência sobre os critérios de faturamento utilizados, esclarecimentos sobre a política de autoleitura e a garantia de que consumidores não sejam penalizados por eventuais falhas operacionais relacionadas à leitura dos medidores.
A Cemig se manifestou através de uma nota oficial. Leia na íntegra abaixo.
"A Cemig esclarece que os aumentos registrados nas contas de energia de moradores da Região dos Pires devem ser analisados individualmente, considerando diferentes fatores que podem impactar o valor final da fatura.
Entre os principais aspectos está o período de consumo de energia, que pode variar entre 28 e 33 dias, dependendo da data de emissão da conta. Além disso, por se tratar de uma área rural, onde a leitura do consumo é realizada presencialmente a cada três meses, pode ocorrer a concentração de consumo acumulado. Nesses casos, eventuais variações superiores à média nos meses anteriores podem ser refletidas na fatura emitida no período em que ocorre a leitura presencial.
Atualmente, o sistema de leitura na localidade funciona de forma híbrida: nos meses sem leitura presencial, o faturamento é realizado com base na média de consumo dos últimos 12 meses. Já no trimestre em que ocorre a leitura no local, o consumo real é aferido e eventuais diferenças podem ser ajustadas na fatura.
A Companhia reforça que realiza campanhas periódicas para incentivar a autoleitura por parte dos clientes. Essas ações são divulgadas no verso das contas de energia e também por meio de diversos canais de comunicação, como rádio, televisão, redes sociais e o site oficial da empresa.
Em relação às cobranças questionadas, a Cemig informa que cada situação precisa ser avaliada de forma específica. Em alguns casos, pode haver consumo maior do que a média histórica; em outros, o aumento pode estar relacionado a fatores distintos.
É sempre importante orientar que, caso seja notada qualquer divergência na conta de luz, o cliente deve entrar em contato pelos canais oficiais da Cemig para que seja feito o registro formal da demanda e, assim, a companhia avalie cada caso individualmente. Assim, a empresa destaca que todas as reclamações formalizadas pelos clientes serão devidamente analisadas. Os consumidores podem entrar em contato pelo telefone 116, pelo site oficial (www.cemig.com.br), pelo aplicativo Cemig Atende ou ainda na agência de atendimento presencial, em Juiz de Fora fica na Avenida Itamar Franco 1.418, centro.
A Cemig reitera seu compromisso com a transparência, a qualidade no atendimento e o respeito aos direitos dos consumidores, assegurando a avaliação criteriosa de cada demanda.
Por fim, a Companhia ressalta que o processo de faturamento segue rigorosamente as normas e regulamentações vigentes, garantindo a regularidade e a conformidade das cobranças emitidas".