Restrições do período eleitoral afetam estoque do Hemominas em Juiz de Fora
Atendendo a 33 municípios e 62 hospitais da região, unidade opera com metade da capacidade. Em uma hora, nossa equipe registrou a chegada de apenas quatro doadores
Com estoques 40% abaixo do ideal, o Hemocentro Regional de Juiz de Fora enfrenta um cenário crítico que afeta o abastecimento de 33 municípios e 62 hospitais. A queda atinge todos os tipos sanguíneos.
Apesar do período pós férias historicamente registrar alta de voluntários, as restrições de comunicação da legislação eleitoral impedem campanhas em redes sociais oficiais. Sem essa divulgação, o alcance dos alertas caiu drasticamente. A responsável pela captação, Thaysi Melo, pede que a população compareça.
"O nosso apelo serve para a comunidade, para que venha fazer a doação de sangue e nos ajude a salvar vidas", reforça Thaysi.
Em período eleitoral, órgãos públicos como o Hemominas ficam proibidos de fazer campanhas e divulgações em suas redes sociais oficiais, o que reduz drasticamente o alcance dos alertas de doação e esvazia os hemocentros.
Ideal é receber 140 doadores por dia
Atualmente, a unidade recebe entre 70 e 80 doadores por dia, enquanto a capacidade e a necessidade diária são de 140 atendimentos. Na prática, o hemocentro opera com quase metade do público necessário para manter o abastecimento regular dos leitos e urgências. Nesta terça-feira (19), a nossa equipe esteve na unidade e, em um período de uma hora, registrou a chegada de apenas quatro doadores.
Para reverter esse quadro, a captação reforça que todos os tipos sanguíneos são vitais e que o gesto individual se multiplica na vida das famílias atendidas.
"Eu costumo dizer que o doador salva no mínimo quatro vidas, porque o sangue é fracionado em até quatro hemocomponentes. Mas quem recebe, recebe muito mais do que aquela doação. Esse paciente tem uma família, tem alguém esperando por ele. De forma indireta, ajuda muito mais pessoas do que o sangue propriamente dito", ressalta a responsável pela captação.
Como doar
O procedimento é rápido, seguro e conta com acompanhamento profissional, incluindo lanches pré e pós-doação.
Para doar é necessário estar em boa condição de saúde, pesar mais de 50 kg, ter dormido bem na noite anterior e apresentar documento oficial com foto.
Quem utiliza medicação contínua ou passou por procedimentos cirúrgicos recentes pode ligar antecipadamente para o Hemominas para confirmar a aptidão antes do deslocamento.
Novas regras a partir de outubro
A partir de outubro de 2026, a doação de sangue no Brasil passa a ser mais inclusiva. A principal novidade é a eliminação do limite máximo de idade para doadores regulares. Pessoas com mais de 70 anos que já têm o hábito de doar e continuam saudáveis poderão seguir salvando vidas, desde que sejam aprovadas na triagem clínica do hemocentro.
A atualização das normas também facilitou o retorno ao processo de doação ao reduzir vários prazos de espera:
Tatuagens, maquiagem definitiva e procedimentos estéticos (como botox, preenchimento e microagulhamento): o tempo de espera cai para apenas 7 dias, desde que realizados em locais que cumpram as normas de segurança atestadas. Caso não seja possível verificar o local, o prazo passa para 4 meses.
Exames e medicamentos: o impedimento após passar por endoscopia ou usar anabolizantes sem prescrição médica diminui de 6 para 4 meses.
Piercings: na boca ou na região genital, a doação fica liberada 4 meses após a retirada do acessório.
Viagens para áreas com malária: a espera cai de até 12 meses para apenas 30 dias, graças ao uso obrigatório do novo teste NAT Plus, que detecta a doença com mais precisão.
Além disso, para reforçar a segurança do paciente e otimizar os estoques dos hemocentros, as bolsas de sangue passam a adotar um padrão internacional de identificação (ISBT 128) que melhora a rastreabilidade. Por fim, a validade das plaquetas foi ampliada de 5 para até 7 dias, reduzindo o desperdício desse componente crucial no tratamento de pacientes com câncer.