Hospital Maternidade Therezinha de Jesus restringe atendimentos por falta de repasses de R$16,4 milhões em Juiz de Fora
Hospital deixa de receber novos pacientes para hemodiálise, pede transferência de internados em UTI e suspende atendimentos de retaguarda; urgência e emergência são mantidas por enquanto.
O Hospital e Maternidade Therezinha de Jesus vai restringir parte dos atendimentos a partir desta quarta-feira (7) em razão da falta de regularização de repasses financeiros. Segundo ofício encaminhado à Prefeitura de Juiz de Fora nessa terça-feira (6), o hospital não aceitará novos pacientes para hemodiálise, deixará de receber como retaguarda pacientes encaminhados por Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e outros hospitais e solicitará a transferência dos pacientes atualmente internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). Os atendimentos de urgência e emergência serão mantidos, por enquanto.
De acordo com o documento, os pacientes que já estão em tratamento de hemodiálise continuarão sendo atendidos. Já os internados nas UTIs serão inseridos na Regulação, com pedido de transferência para outros hospitais da rede. Até que a transferência seja efetivamente realizada, os pacientes permanecerão sob os cuidados do Therezinha de Jesus.
A unidade também deixará de receber, como retaguarda, pacientes encaminhados pelas UPAs e por outros hospitais. O hospital solicitou que a Central de Regulação, as UPAs e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) sejam orientados a redirecionar esses encaminhamentos para outros prestadores da rede.
O Therezinha de Jesus afirma que as medidas são temporárias e foram adotadas para preservar a segurança dos pacientes. Segundo o hospital, os repasses não foram regularizados após uma comunicação anterior que levou à suspensão das atividades eletivas, e a instituição não teria mais condições de manter a assistência no volume contratado sem os recursos.
Hospital aponta R$16,4 milhões em valores em aberto
Conforme o ofício, os valores em aberto somavam R$16.478.118,74 em 1º de outubro de 2026. O hospital destaca que parte dos recursos pendentes está diretamente relacionada aos serviços que agora terão restrições.
São R$2.257.166,28 em incentivos da Rede de Urgência e Emergência, referentes aos leitos de retaguarda e de UTI das competências de julho e agosto de 2026. Também estão pendentes R$1.917.081,93 do FAEC, relacionados ao serviço de hemodiálise entre março e julho de 2026.
No documento, o hospital cita o Convênio nº 08.2025.058 e afirma que cabe ao Município garantir os repasses dos recursos financeiros necessários à execução do convênio, quando enviados tempestivamente pelo Governo Federal, além de regular o acesso dos usuários às ações e serviços de saúde por meio das centrais de regulação.
Hospital pede regularização dos repasses
O Therezinha de Jesus solicita à Prefeitura a regularização imediata dos repasses. Também pede que a Central de Regulação, as UPAs e o Samu sejam orientados a redirecionar para outros prestadores os encaminhamentos de retaguarda e os novos pacientes de hemodiálise.
Para os pacientes internados nas UTIs, a instituição solicita que a Regulação disponibilize vagas em outros hospitais para viabilizar as transferências. O hospital ressalta ainda que a manutenção dos atendimentos de urgência e emergência também depende da regularização dos repasses. Caso a inadimplência persista, a continuidade desses serviços poderá ficar comprometida, segundo o documento. A instituição afirma que dará ciência prévia à Prefeitura e ao Ministério Público caso isso ocorra.
PJF diz que situação ainda não gerou consequências práticas
A Prefeitura de Juiz de Fora informou que tomou conhecimento da comunicação do hospital nas últimas horas da tarde dessa terça-feira.
Em resposta às perguntas encaminhadas pelo Acessa.com, a Administração Municipal afirmou que mantém abertos os canais de diálogo e que serão realizadas outras reuniões institucionais ao longo da semana para o encaminhamento da situação.
Segundo a PJF, até o momento, a situação não gerou consequências práticas para o atendimento. A Prefeitura não informou, na resposta enviada, o valor que reconhece como devido ao hospital, eventual cronograma para regularização dos repasses ou o número de pacientes que possam ser transferidos.