Escolas interditadas após chuvas em Juiz de Fora seguem sem prazo definido para retorno dos alunos
Em audiência pública na Câmara Municipal, Prefeitura apresentou o cenário dos prédios e as propostas de reconstrução e recuperação. Famílias cobraram informações sobre o início das obras, os recursos disponíveis e a segurança dos terrenos.
A situação de seis escolas municipais de Juiz de Fora e do Colégio de Aplicação João XXIII, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), interditados após as chuvas de fevereiro, foi discutida em audiência pública na Câmara Municipal, na segunda-feira (26). Durante a reunião, representantes da Prefeitura apresentaram avaliações técnicas dos imóveis e alternativas para reconstrução ou recuperação das unidades. Pais e responsáveis cobraram prazos para as obras, esclarecimentos sobre os recursos anunciados e garantias de segurança para o retorno dos estudantes, que foram transferidos para locais provisórios.
A audiência foi proposta pelo presidente da Comissão de Urbanismo, Transporte, Trânsito e Acessibilidade, vereador Tiago Bonecão (Democrata). Ele questionou se os R$ 60 milhões anunciados para a construção de novas escolas já foram disponibilizados ao município e quais serão os caminhos adotados pela Prefeitura para resolver a situação.
“Se realmente o ministro esteve aqui e anunciou na primeira semana que teria os R$ 60 milhões para fazer as novas escolas, esse dinheiro chegou? Vai chegar?”, questionou o vereador, cobrando transparência sobre os recursos e o planejamento das intervenções.
Bonecão também levantou dúvidas sobre a possibilidade de reconstruir unidades nos mesmos terrenos, diante dos riscos identificados nas áreas atingidas pelas chuvas.
Participaram da audiência as secretárias municipais de Educação, Ana Lívia Coimbra, e de Obras, Bruna Ferreira; o secretário de Governo, Ronaldo Pinto; e o assessor da Defesa Civil, Joviano Assis.
Defesa Civil aponta riscos nos terrenos e nos prédios
Durante a apresentação técnica, Joviano Assis detalhou as condições dos imóveis e das áreas próximas às escolas.
Na Escola Municipal Antônio Faustino da Silva, localizada na parte plana do bairro Três Moinhos, o prédio aparentemente não apresenta risco direto. No entanto, o entorno tem dezenas de pontos de deslizamento. Segundo o assessor, a encosta próxima tem cerca de 120 metros de altura e apresenta diferentes áreas de instabilidade.
Na Escola Municipal Adenilde Petrina Bispo, antiga Escola Santa Cândida, foram identificados deslizamento de terra no barranco atrás do imóvel e rachaduras no piso interno, sinais que podem indicar movimentação do terreno. Apesar dos problemas, Joviano afirmou que a recuperação do prédio pode ser possível, dependendo do projeto previsto para a área.
Já as escolas municipais Clotilde Peixoto Hargreaves e Murilo Mendes continuam em áreas sujeitas a novos deslizamentos. Para que os estudantes possam retornar, são necessárias intervenções estruturais, incluindo serviços nas fundações e nos telhados.
A Escola Municipal Santa Catarina Labouré também enfrenta problemas relacionados à segurança do local. Além disso, o imóvel onde funcionava a unidade não pertence ao município.
No caso do Colégio de Aplicação João XXIII, a interdição será permanente. A previsão é de construção de um novo prédio pelo Governo Federal, no campus da UFJF.
Pais cobram prazos para o início das obras
Durante a audiência, familiares relataram dificuldades provocadas pela transferência dos estudantes para escolas provisórias e cobraram o cumprimento das previsões apresentadas anteriormente.
Dayane Gonçalves, mãe de um aluno da Escola Municipal Adenilde Petrina Bispo, questionou se ainda está mantida a previsão de concluir as intervenções em um ano e meio, mencionada em uma reunião realizada em 21 de março.
Ela também relatou que as dificuldades para levar e buscar os filhos na escola contribuíram para sua demissão.
Cristiano Caetano, integrante da Comissão de Pais da Escola Municipal Clotilde Peixoto Hargreaves, cobrou informações concretas sobre o início das obras e a liberação dos recursos.
“Eu quero saber quando a obra vai começar, porque esse discurso eu já ouvi três vezes. E eu não vou desistir”, afirmou.
O responsável também relatou os prejuízos enfrentados pela família durante as chuvas e as dificuldades para reorganizar a rotina e garantir a continuidade dos estudos das crianças.
Prefeitura apresenta alternativas para as escolas
A secretária de Obras, Bruna Ferreira, informou que a Prefeitura procurou terrenos disponíveis nos bairros onde ficam as escolas Clotilde Peixoto Hargreaves, Adenilde Petrina Bispo e Murilo Mendes, mas não encontrou áreas adequadas para construir novas unidades do zero.
Diante disso, a administração municipal passou a trabalhar com alternativas que incluem obras de contenção de encostas, reforço estrutural e reconstrução de escolas nos terrenos atuais.
Segundo Bruna, os recursos para a construção dos muros de contenção estão sendo solicitados à Defesa Civil Nacional. A secretária também informou que os projetos de demolição e reconstrução das escolas Adenilde Petrina Bispo e Clotilde Peixoto Hargreaves, seguindo os padrões do Ministério da Educação (MEC), já foram elaborados.
Nas próximas semanas, a Prefeitura pretende realizar sondagens nos terrenos para desenvolver os projetos estruturais necessários antes da abertura dos processos de licitação.
Para a Escola Municipal Murilo Mendes, a proposta é construir um muro de contenção e reformar o prédio, sem necessidade de demolição.
Já a Escola Municipal Santa Catarina Labouré deverá funcionar em um imóvel próprio, que será construído em um terreno ainda em avaliação pela Prefeitura.
Apesar das alternativas apresentadas, a audiência foi marcada por cobranças da comunidade escolar sobre a definição de prazos, a disponibilidade dos recursos e as condições necessárias para que os alunos possam voltar a estudar em unidades definitivas e seguras.