Fundador do Grupo Fictor é um dos alvos da Operação Fallax, da Polícia Federal
O CEO e fundador do Grupo Fictor, Rafael Góis, é um dos alvos da investigação da Polícia Federal (PF), que deflagrou nesta quarta-feira, 25, a Operação Fallax, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa especializada em crimes contra a Caixa Econômica Federal.
O Estadão pediu manifestação da Fictor sobre as diligências. O espaço está aberto.
A investigação foi iniciada em 2024, quando a Polícia Federal identificou a existência de um esquema estruturado voltado à prática de fraudes bancárias e lavagem de capitais.
A organização criminosa atuava mediante a cooptação de funcionários de instituições financeiras e a utilização de empresas de fachada, valendo-se, inclusive, de estrutura financeira associada para a movimentação de recursos ilícitos. Há indícios de que parte desses valores tinha origem em células criminosas vinculadas ao Comando Vermelho.
Os criminosos, segundo a PF, estruturavam suas atividades por meio da criação em larga escala de pessoas jurídicas fictícias, com padrões previamente definidos - como capital social simulado, objeto social genérico e sócio único -, destinadas à obtenção fraudulenta de crédito junto a instituições financeiras.
A dinâmica criminosa compreendia:
- Captação de indivíduos para cessão de dados pessoais;
- Constituição de empresas fictícias com aparência de regularidade;
- Elaboração de documentação contábil fraudulenta (DRE, ECF e declarações fiscais);
- Manipulação de faturamento para simular capacidade financeira;
- Uso de certificados digitais para operacionalização remota, reduzindo a exposição dos envolvidos;
- Participação de gerentes bancários, responsáveis por fornecer informações privilegiadas e inserir dados falsos nos sistemas.
De acordo com os investigadores, o modelo operacional do grupo previa a utilização temporária das empresas (entre 1 e 1,5 ano), com cumprimento inicial das obrigações e posterior inadimplência deliberada, dificultando a recuperação dos valores pelas instituições financeiras.
Há indícios de prejuízos milionários a diversas instituições financeiras, dentre elas Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Bradesco, Santander e Safra. O Estadão pediu manifestação das companhias sobre as fraudes. O espaço está aberto.
Estão sendo cumpridos 43 mandados de busca e apreensão e 21 mandados de prisão preventiva, expedidos pela Justiça Federal, em cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. Também foi determinado o bloqueio e o sequestro de bens imóveis, veículos e ativos financeiros até o limite de R$ 47 milhões, com o objetivo de descapitalizar a organização criminosa.
Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, estelionato qualificado, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, corrupção ativa e passiva e crimes contra o sistema financeiro nacional, cujas penas, somadas, podem ultrapassar 50 anos de reclusão.
Papel do Grupo Fictor no esquema, segundo a PF
As investigações indicam que os responsáveis pelo Grupo Fictor exerceram papel relevante e estruturante no funcionamento da organização criminosa, atuando como núcleo de sustentação financeira e operacional.
Sua atuação consistia na injeção de recursos com o objetivo de simular movimentações financeiras entre empresas vinculadas à organização, especialmente por meio do pagamento cruzado de boletos, criando artificialmente aparência de liquidez e saúde financeira.
Além do aporte financeiro - que alcançou valores expressivos -, o grupo também atuava na criação e gestão de empresas de fachada.
Nesse contexto, a atuação da Fictor viabilizava:
- Pagamentos cruzados para simulação de fluxo financeiro;
- Geração artificial de faturamento;
- Construção de histórico bancário fictício para obtenção de crédito.