Anfavea revê previsão de crescimento da produção em 2026 de 3,7% para 5,8%

Por Eduardo Laguna

A Anfavea, entidade que representa as montadoras, revisou para cima as previsões ao desempenho do setor neste ano, após os resultados surpreendentes do primeiro semestre. A expectativa para o crescimento da produção passou de 3,7%, prognóstico anunciado em janeiro, para 5,8%.

A indústria espera agora um crescimento de 12,1% nas compras de veículos no Brasil, bem acima dos 2,7% previstos inicialmente. Se as previsões se confirmarem, as vendas vão superar 3 milhões de veículos em 2026, como não acontece, conforme a entidade, desde 2014.

O resultado só não deve ser melhor pela queda de 12,8% prevista pela Anfavea para as exportações. A entidade tinha começado o ano prevendo leve crescimento: alta de 1,3% nas exportações.

Os prognósticos levam em conta os juros elevados, com a Selic terminando o ano em 14%, e não em 12% como esperava antes a Anfavea. Os juros altos, contudo, são

contrabalanceados, conforme a Anfavea, por estímulos à demanda agregada, que incluem as linhas de crédito e incentivos do governo para troca de caminhões e carros.

Ao anunciar as novas previsões, o presidente da Anfavea, Igor Calvet, chamou a atenção para o descolamento incomum entre os ritmos de produção e do mercado. Com a maior entrada de carros importados, a produção não acompanha o crescimento das compras de automóveis no Brasil, ao mesmo tempo em que a indústria brasileira perde vendas na Argentina.

"No final das contas, quando fechamos a equação, a nossa produção cresce, mas muito menos, proporcionalmente, do que o mercado", comentou Calvet em coletiva de imprensa. "Não vou falar que é a primeira vez, mas há um descolamento importante neste ano entre emplacamentos e produção", acrescentou o executivo.