De Juiz de Fora para a Toca da Raposa: João Ricardo, o garoto de 14 anos que transformou uma dispensa em recomeço no Cruzeiro

Promessa juiz-forana, ex-Fluminense, supera fase difícil e inicia nova jornada na base celeste com o apoio da família e o sonho de chegar ao profissional.

Por Isabella Oliveira

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O juiz-forano João Ricardo Fernandes Nogueira, de 14 anos, está vivendo um novo capítulo na sua trajetória no futebol. Após sete anos no Fluminense, o jovem atleta foi aprovado em avaliação no Cruzeiro e agora integra a equipe Sub-14 da base celeste, onde já vem disputando competições oficiais e chamando atenção pela determinação dentro e fora de campo.

Desde muito pequeno, João já demonstrava talento e paixão pelo futebol. “O João começou com o futebol com três aninhos, na escolinha. A gente viu que ele levava jeito e começou a apoiar”, conta o pai e empresário, Ricardo Nogueira. “Com quatro pra cinco anos, levamos pra escolinha do Zico, aqui em Juiz de Fora. Lá ele foi destaque em várias Copas Zico, sempre artilheiro, sempre chamando atenção”.

Do Zico ao Fluminense

Aos seis anos, o talento do garoto o levou para o Botafogo, e pouco tempo depois para o Fluminense, onde viveu parte da infância como atleta. Foram sete anos de dedicação, títulos e aprendizados com a camisa tricolor.

“Ele ficou sete anos no Fluminense, foi campeão em várias competições fora do Rio. Mas acabou sendo dispensado por ainda não ter maturado fisicamente”, explica o pai. “Foi um momento muito difícil, porque o João já estava acostumado à rotina, aos amigos, à vida no clube. Mas a gente conversou com ele, mostrou que isso fazia parte do processo e que o mais importante era continuar acreditando".

A volta por cima

De volta a Juiz de Fora, João não deixou o desânimo tomar conta. Seguiu treinando, com o apoio dos profissionais Ramon, Diego e Pablo, do Sport Club, até que uma nova oportunidade surgiu: uma avaliação no Cruzeiro.

“Ele foi pra fazer um jogo, o pessoal gostou e pediu pra ele ficar mais uma semana. No fim, foram quase 25 dias de avaliação. Até que ele ligou dizendo: ‘Pai, fui aprovado!’. Foi uma alegria enorme”, relembra Ricardo.

Agora, o jovem vive alojado no clube, onde estuda e treina diariamente.

Rotina de foco e maturidade 

João leva uma rotina intensa, mas encara tudo com entusiasmo.

“Acordo cedo, tomo café, vou pra aula, almoço e depois treino. Faço academia antes de ir pro campo. Quando volto, janto, descanso, converso com meus pais ou jogo um pouco no celular”, conta o atleta.

Longe da família, o garoto demonstra uma maturidade impressionante para a idade.

“Jogar bola é o que eu sempre quis, é o meu sonho. O futebol é a minha vida. Já perdi festas, aniversários, casamentos de amigos e de primos. Abri mão de muita coisa boa pra conquistar algo ainda melhor. Ficar longe da família é difícil, mas eu sei que lá na frente a gente vai ser recompensado.”

Essa consciência e dedicação são vistas pela família como o grande diferencial do jovem atleta.

“Ele é muito focado, sabe o que quer. Mesmo depois da dispensa, não desanimou. Continuou acreditando, treinando, e agora está colhendo os frutos”, diz o pai.

Estrutura e novos desafios

No Cruzeiro, João já disputou o Brasileirinho Sub-14, com sete jogos, duas assistências e um gol, e também foi inscrito no Campeonato Mineiro da categoria. O clube oferece estrutura completa, com acompanhamento psicológico, nutricional e escolar, para garantir o desenvolvimento dos atletas.

“O Cruzeiro tem um suporte incrível. Ele está feliz, confiante e bem cuidado. Nosso plano é mudar pra Belo Horizonte no início de 2026 pra ficar mais perto dele”, revela Ricardo.

O sonho que continua

Com apenas 14 anos, João já vive o que muitos atletas só experimentam depois de muito tempo: a pressão, a saudade, a superação e o prazer de jogar futebol todos os dias.

“A gente sempre disse pra ele que o mais importante é não desistir. E ele não desistiu”, afirma o pai. 

O menino que começou chutando bola nos campos de Juiz de Fora agora veste a camisa de um dos maiores clubes do país. E com a mesma simplicidade de quem joga por amor, João Ricardo segue acreditando que o melhor ainda está por vir.