Casares agenda reuniões e tenta se proteger de impeachment no São Paulo
(UOL/FOLHAPRESS) - O presidente do São Paulo, Julio Casares, iniciou uma ofensiva política nos bastidores do clube em meio ao avanço de um possível processo de impeachment. Nos últimos dias, o mandatário agendou reuniões com grupos políticos considerados estratégicos dentro do Conselho Deliberativo e da estrutura associativa, com o objetivo de "esclarecer os fatos" e reduzir resistências diante das acusações que pesam contra sua gestão.
O movimento ocorre em um momento delicado da política interna do clube. O presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres de Abreu Júnior, encaminhou a discussão sobre o pedido de afastamento de Casares ao Conselho Consultivo do São Paulo. Essa etapa antecede uma reunião formal do Conselho Deliberativo na qual o presidente poderá apresentar sua defesa. O Conselho Consultivo é formado por presidentes e ex-presidentes do clube e do próprio Conselho Deliberativo ?entre eles, o próprio Olten e Julio Casares.
PRÓXIMOS DIAS SERÃO DECISIVOS
O pedido de afastamento foi protocolado no dia 23 de dezembro de 2025 e contou com 57 assinaturas de conselheiros. Para que Olten Ayres, presidente do Conselho, fosse obrigado a dar sequência ao requerimento, eram necessárias ao menos 50 assinaturas. A reportagem do UOL apurou que existe ainda a possibilidade de que um grupo de cerca de 22 conselheiros da atual Coalizão, nome dado a união de chapas apoiadoras de Casares, se junte ao processo e solicite o impeachment do mandatário.
Com o protocolo do pedido, iniciou-se o prazo legal para a convocação da reunião extraordinária do Conselho Deliberativo. Caso Olten não faça a convocação em até 30 dias, a responsabilidade passa para o vice-presidente do Conselho, João Farias Júnior, que terá 15 dias para convocar. Em caso de nova omissão, a convocação poderá ser feita pelo conselheiro signatário do pedido com mais tempo de associação ao São Paulo.
A data sugerida para a reunião do Conselho Consultivo é 12 de janeiro, ainda pendente de confirmação oficial. O encontro deverá ocorrer pouco mais de uma semana antes do prazo final para que Olten convoque uma reunião extraordinária do Conselho Deliberativo, que será destinada à apresentação da defesa de Casares e à continuidade da tramitação do pedido de afastamento.
As acusações que embasam o requerimento envolvem suposta má gestão orçamentária, venda de atletas por valores considerados abaixo do mercado e uso irregular de camarote. O Conselho Consultivo, ao contrário do que foi especulado, não tem poder direto de interferência ou veto no processo de impeachment. Sua função é apenas emitir uma opinião, que será levada em consideração na discussão do Conselho Deliberativo.
Para que o impeachment seja aprovado no Conselho Deliberativo, é necessária maioria qualificada de dois terços dos votos ?o equivalente a 171 votos entre os 255 conselheiros. Caso esse quórum seja atingido, Julio Casares será afastado provisoriamente da presidência do São Paulo. Nesse caso, o vice-presidente Harry Massis Júnior, empresário de 80 anos, é quem assumiria a cadeira.
Após a decisão do Conselho, deverá ser convocada, em até 30 dias, uma Assembleia Geral de sócios para ratificar ou não o afastamento. Nesse processo, a aprovação depende apenas de maioria simples dos votos.
CASARES TENTA RECUPERAR PRESTÍGIO
Em meio ao processo político turbulento, Casares agendou reuniões com os seis grupos políticos que compõem a "Coalizão" do São Paulo. Na primeira semana de janeiro, o presidente do São Paulo deverá se reunir com os grupos MSP (Movimento São Paulo FC), Legião Tricolor, Sempre Tricolor, Participação, Força Tricolor e Vanguarda Tricolor.
O movimento é visto como uma tentativa de "esclarecer o cenário" e recuperar prestígio político. Nas últimas semanas, a Coalizão se reuniu para um bate-papo após o escândalo do camarote, em encontro que contou com as presenças de Mara Casares e Douglas Schwartzmann, ex-diretores diretamente envolvidos na polêmica. A avaliação é que o encontro "não aparou todas as arestas", e será necessário um papo individual com cada grupo para entender as pretensões e qual o grau do apoio ao atual presidente.
